28 de setembro de 2020
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430 mil pessoas ficam sem ônibus em Belo Horizonte

A paralisação de motoristas e cobradores de ônibus na região metropolitana de Belo Horizonte entra em seu segundo dia, nesta terça-feira (25), afetando 430 mil usuários do serviço. Nas estações de ônibus de Barreiro, Diamante, Venda Nova e Vilarinho, a paralisação é total e não há ônibus circulando. A Secretaria de Transportes de Minas Gerais informou que, além da capital, a greve teve uma adesão de 50% em 32 municípios da região metropolitana.

Os rodoviários e representantes das empresas de transporte reúnem-se nesta terça-feira no Tribunal Regional do Trabalho para tentar negociar o final da greve –a primeira reunião terminou sem acordo na segunda. Os rodoviários reivindicam reajuste salarial de 21,5%, jornada de trabalho de seis horas, ticket de alimentação com 30 diárias no valor de R$ 15 e piso salarial 30% superior para os motoristas de veículos do BRT (na sigla em inglês), previstos para circular em maio na capital mineira.

Auditoria sem conclusão

O prefeito de Belo Horizonte Marcio Lacerda (PSB) adiou na noite desta segunda-feira (24), pela quarta vez a divulgação das conclusões da auditoria realizada pela empresa Ernst & Young, ao custo de R$ 1,97 milhão, nas 43 concessionárias do serviço de transporte público na capital mineira. Durante a reunião do conselho de mobilidade foram divulgados apenas dois dos dez relatórios previstos e proposta de mensuração de produtividade. Um deles mostra que as empresas do setor tiveram lucro líquido de R$ 53,4 milhões nos primeiros quatro anos das concessões do Sistema de Transporte Público, após a renovação de 2008. Segundo o diretor de Transporte Público da BHTrans, Daniel Marx Couto, somente a partir de março a empresa contaria com um relatório conclusivo sobre previsão de impacto nas tarifas de ônibus.

Em junho do ano passado, sob a pressão dos manifestantes que chegaram a ocupar Câmara Municipal de Belo Horizonte, o prefeito afirmou que a Ernst & Young iria entregar em novembro de 2013 "uma radiografia completa, uma auditoria do negócio transporte coletivo em Belo Horizonte".

"Isso tudo tem a sua complexidade e justifica esse prazo demandado. (...) As eventuais alterações de prazo foram demandadas pela própria BHTrans, ou pela prefeitura, para aumentar a quantidade de cenários", afirmou o diretor de Transportes da BHTrans, Daniel Couto, durante reunião.

Em junho do ano passado, Lacerda afirmou que o contrato passava por uma "revisão". "Neste momento há uma auditoria. Então, nós teremos uma discussão bastante qualificada e não político-emocional, no fogo de manifestação, em cima de um assunto que tem complexidade", disse.

O contrato entre a Ernst & Young e a prefeitura prevê a entrega de dez relatórios sobre o transporte público na capital. O resultado da auditoria, reivindicado por representantes de movimentos sociais e pelo MP (Ministério Público) de Minas Gerais, possibilitará projetar e avaliar o fluxo de caixa das concessionárias, ao longo do período de concessão e verificar a necessidade de aumento ou redução dos preços das passagens.

Agência UOL