25 de novembro de 2020
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Estimativa de mortos por tufão nas Filipinas chega a 10 mil

Ao menos 10 mil pessoas podem ter morrido apenas na cidade de Tacloban, na ilha de Leyte, nas Filipinas, devido à passagem do tufão Haiyan pelo país, segundo informações da polícia local. Se confirmado o número, terá sido o tufão mais devastador que já atingiu o país.

Relatos vindos de outras ilhas atingidas indicam milhares de mortes.

Em Tacloban, corpos pendiam de galhos de árvores e se espalhavam pelas calçadas e sob escombros de prédios que ruíram. Enquanto isso, saqueadores invadiam lojas, supermercados e postos de gasolina em busca de água, comida e combustível.

Integrantes do governo acreditam que a estimativa de mortes pode ser ainda maior quando as equipes de emergência conseguirem chegar aos locais mais atingidos pelo tufão. Muitos deles ainda estão isolados, sem contato por estradas, sem energia e sem telefone.

O tufão, que chegou a ter ventos de 315 km por hora, atingiu a costa leste do arquipélago na sexta-feira e ontem se dirigia para o Vietnã, aonde deveria chegar hoje pela manhã, no horário local.

CORPOS NA ESTRADA

"No caminho do aeroporto, vimos vários corpos ao longo da estrada", disse Mila Ward, 53, uma australiana nascida nas Filipinas que esperava o voo para a capital, Manila, a 580 km dali. Ela disse ter passado por mais de cem corpos espalhados pelo percurso até o aeroporto.

O Haiyan (chamado de Yolanda nas Filipinas) infligiu sérios prejuízos a ao menos seis ilhas do arquipélago, que tem mais de 7.000 ilhas. Leyte, Samar e a parte norte de Cebu foram as mais afetadas.

Em Samar, Leo Dacaynos, do centro de emergências, disse que havia 300 mortos apenas em uma cidade, e 2.000 pessoas estavam desaparecidas. Algumas cidades da ilha ainda não podem ser acessadas pelos socorristas.

"Não tenho casa, não tenho roupas. Não sei como vou recomeçar a minha vida. Estamos pedindo socorro", disse chorando uma mulher em Guiuan, maior cidade da ilha.

A Cruz Vermelha afirmou que seus esforços de ajuda eram prejudicados por saqueadores, que chegaram a atacar caminhões com alimentos e suprimentos que iriam de barco para Tacloban.

Os saques levaram o presidente filipino, Benigno Aquino III, a considerar declarar estado de emergência ou a lei marcial na cidade.

O presidente dos EUA, Barack Obama, disse estar "profundamente entristecido" com a tragédia e prometeu ajudar nos esforços de reconstrução do país. O secretário da Defesa americano, Chuck Hagel, instruiu o comando militar do Pacífico a enviar navios e aviões à área.

A ONU disse que aumentou as operações de socorro, mas o acesso a muitas áreas continua a ser um desafio.

TRÁFICO DE MENORES

O Unicef, braço das Nações Unidas para a infância e a juventude, teme que a tragédia aumente o risco de que crianças filipinas caiam nas mãos de integrantes de redes de tráfico de menores. Segundo a organização, até 4 milhões de crianças no país poderão ser afetadas pela tragédia.

Folhapress