26 de fevereiro de 2021
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Santa Casa pede socorro, com atraso nos repasses faltam medicamentos e leitos

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Na manhã desta quarta-feira (25) a Santa Casa de Campo Grande convocou uma coletiva de imprensa para se tornar público o risco que os 11 pacientes que serão transferidos para UTI (Unidade de Terapia Intensiva) por meio de uma liminar judicial podem estar correndo, já que medicamentos estão reduzidos e alguns em falta.

Segundo o diretor técnico Mário Madureira ainda não foram transferidos todos os pacientes, apenas quatro chegaram à Santa Casa, e foram encaminhados para UTI como determinou o  juiz plantonista do TJ/MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) Roberto Ferreira Filho, “os pacientes estão em fase de transferência, já chegaram quatro, nós temos um acordo com a regulação para ao pacientes não chegarem todos juntos, porque isso causaria um novo dano, e poderia expor os pacientes a um caos ainda maior no pronto socorro”, diz Mário.

De acordo com o Diretor dos 11 pacientes que serão transferidos sete são de cardiologia, (seis infartados, mas estáveis, um paciente com arritmia), um com AVC (Acidente Vascular Cerebral), e três com problemas respiratórios.

O presidente da ABCG (Associação Beneficente de Campo Grande) Wilson Teslenco, disse que a ordem judicial determinou que os pacientes fossem encaminhados para UTI, e que a ordem será cumprida, porém nem todos os casos são de urgência, podendo assim prejudicar outros pacientes que poderiam ser beneficiados com o atendimento “é importante destacar que essa liminar que foi concedida nessa madrugada, determina que esses 11 pacientes sejam transferidos exclusivamente para UTI independente da real necessidade e da classificação, e ele limita somente a 11 leitos, e condiciona que outros pacientes sejam encaminhados para outras unidades que não seja a Santa Casa. Na liminar o juiz reconhece que a situação é real, é pública e conhecida e que ela decorre do não pagamento de valores comprovados por parte do município”, diz Teslenco.

Teslenco lembrou ainda que assumir essa responsabilidade sem ter condições de atendimento junto com o hospital coloca em risco a profissão do médico “além da assistência inadequada em função da circunstância em que o hospital se encontra, nós temos também um risco do exercício profissional , por que ter um paciente sobre a responsabilidade de um profissional que eventualmente não tenha os recursos juntamente com o hospital para prover a assistência necessária, coloca a atividade profissional em risco”.

Mário Madureira disse ainda que a falta dos principais medicamentos é a maior preocupação, pois já estão em falta medicamentos importantes “para o momento nós temos o medicamento para esse paciente, só que com um alto risco de não ter a segunda dose, ou não ter essa mesma dose para outro paciente, por exemplo, a previsão é de chegar três pacientes infartados, e o medicamento padrão nesses casos é a morfina, e essa medicação está zerada no estoque”.

Segundo Teslenco a Santa Casa entrou com recurso apelando para o juiz reconsiderar a sua decisão em função do agravo ao risco não só dos pacientes que virão, mas também dos que já estão internados na unidade.

Sobre o atraso nos repasses

Teslenco disse que a falta de medicamentos importantes aconteceu devido ao atraso de dez dias do último repasse feito da prefeitura para Santa Casa, os fornecedores que já estavam com a mercadoria pronta voltaram com a mesma, então para que voltem com os medicamentos após o pagamento, existe um prazo de seis ou sete dias.

A prefeitura alega ter repassado um valor de R$ 200 milhões para Santa Casa do início do ano até o momento, Teslenco confirma o repasse, e disse que o correto seria R$ 215 milhões, e que essa dívida é da prefeitura de Campo Grande e não do prefeito, esse valor vem se arrastando desde março deste ano. Segundo o presidente até sexta-feira (27) a prefeitura precisa repassar R$ 2,9 milhões e até o momento não sabe se isso vai acontecer, o valor repassado na segunda-feira (23) foi de R$ 3,2 milhões que foi usado para compra de medicamentos e materiais de urgência.