11 de abril de 2021
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Base de Bernal teme prejuízo em relação com a Câmara após "confusão policial"

Se a relação entre o Legislativo e o Executivo não estava boa nos últimos dias, a presença de policiais à paisana com o objetivo de "proteger" a vereadora Luiza Ribeiro (PPS) supostamente enviados pelo prefeito de Campo Grande Alcides Bernal (PP), culminou para que a relação fosse prejudicada definitivamente. 

O vereador Airton Saraiva (DEM), um dos principais oposicionistas de Bernal na Casa de Leis, afirmou que os policiais foram enviados pelo Prefeito e questionou se realmente o chefe do Executivo Municipal quer manter uma boa relação com a Câmara. "Esses policiais foram enviados por Bernal. Aqui não é casa de pistoleiro, é lugar de debate político e ninguém vai dar tiro em ninguém. Já pensou se estamos aqui discutindo e eventualmente, de repente um policial dispara um tiro? Sabemos que partiu do Bernal a ordem de ter policiais aqui. É esse relacionamento que Bernal quer ter com Câmara? Eu me retirei, pois não quero participar dessa reunião causada por uma situação dessas."

O vereador Betinho (PRB), que se coloca como "base crítica" de Bernal, desaprovou a situação e disse que em tempos de crise, a Câmara precisa de harmonia para dar continuidade aos trabalhos na Casa. "Nosso país está passando por um momento difícil e em Campo Grande não está sendo diferente. Tenho cinco meses de mandato e fico muito triste por que os poderes (Legislativo e Executivo) têm que ter harmonia. O momento é de muita calma, muita cautela, buscar um entendimento pelo bem das pessoas, estamos vivendo uma crise de moral na Casa, me considero na base crítica de Bernal e cobrarei uma posição do que aconteceu hoje, sei separar as coisas, quero ajudar esta administração que já tem muitos problemas, mas essa situação causa descontrole e desestabilidade para trabalhar", pontuou. 

O vereador Eduardo Cury (PT do B), classificou a situação como "desnecessária" e disse que o Legislativo não pode trabalhar sob nenhum tipo de ameaça. "Seja quem for que desencadeou essa ocorrência hoje, o legislativo não pode trabalhar nesse clima. Foi uma situação extremamente desnecessária, espero que o Prefeito venha até aqui se explicar, se foi ele realmente quem pediu a presença dos policiais, qual a razão e tentar dentro desse tumulto buscar um equilíbrio para não prejudicar os interesses da cidade. É uma situação preocupante para as relações entre o executivo e o legislativo", destacou Cury. 

Sessão suspensa

A sessão foi suspensa por aproximadamente 15 minutos para que os vereadores pudessem conversar e tentar entender o que estava acontecendo. "Estivemos conversando na reunião, o Flávio que é o presidente tomara as devidas providências, reforço que não tinha conhecimento do que aconteceu, pedi desculpas pessoalmente e não pensei em magoar ninguém. Pedi desculpas ao Chocolate (PTB) por que ninguém falou aqui que ele era vereador de periferia", argumentou Luiza. 

O presidente em exercício, vereador Flávio Cesar (PT do B) criticou presença dos policiais na Casa e deixou Câmara a caminho da 3ª Delegacia de Polícia para registrar Boletim de Ocorrência.