17 de abril de 2024
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OPERAÇÃO TEMPUS VERITATIS

CACs bolsonaristas seriam 'braço armado' do golpe de estado no Brasil

Para viabilizar seu 'braço armado', de 2019 a 2022, Bolsonaro liberou em média 691 registros diários de novas armas para CACs

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Os Colecionadores, Atiradores e Caçadores (CACs) seriam o 'braço armado' da ditadura de Jair Bolsonaro (PL) no Brasil.

A revelação foi feita pelo tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do governo bolsonarista em delação à Polícia Federal (PF), já homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Conforme depoimento, o grupo de radicais armados atuaria como 'a força' caso Bolsonaro assinasse um decreto golpista e houvesse resistência. 

As declarações foram prestadas aos federais no curso da Operação Tempus Veritates (hora da verdade), que levou a prisão coronéis e aliados políticos de Bolsonaro suspeitos de 'articular' o golpe contra a democracia brasileira que resultaram numa quebradeira na sede dos Três Poderes, em 8 de janeiro.  

Para viabilizar seu 'braço armado', de 2019 a 2022, Bolsonaro liberou em média 691 registros diários de novas armas para CACs. No total, foram emitidos 904.858 registros para aquisição de armas ao longo de quatro anos, sendo 47% desse total liberados em 2022, conforme dados do Exército obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação.

Cid considerou que os extremistas de direita fizeram uma "interpretação errônea do artigo 142 da Constituição Federal". Isso porque achavam que o 'Exército' poderia ser 'superior' aos civis. 

O Supremo Tribunal Federal (STF), no entanto, já descartou ideias de submissão civil ao militarismo.

Em seu depoimento, Cid também mencionou a pressão de Bolsonaro por investigação de fraudes eleitorais e sua ira devido ao fato de não serem encontrados indícios de fraudes eleitorais.

A PF disse que, durante as investigações, identificou conversas de conservadores extremistas, irritados por não haver provas que desacreditassem as eleições, para que assim pudessem promover a ruptura democrática.

De acordo com Cid, um grupo de aliados, dentre os quais estavam os ministros Eduardo Pazuello (Saúde) e Paulo Sérgio (Defesa), o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o major da reserva do Exército Angelo Martins Denicoli apoiavam investidas contra as urnas. “O grupo tentava encontrar algum elemento concreto de fraude, mas a maioria era explicada por questões estatísticas; que o grupo não identificou nenhuma fraude”, disse Cid à PF.

Cid listou também como radical pró-golpe de estado, o senador Luis Carlos Heinze (PP-RS), que concentrou esforços contra as urnas eletrônicas, e até teria mandado "recolher urnas à força".  

Em comunicado, o senador afirmou que "em nenhum momento" cogitou, afirmou ou sequer pensou em "sequestrar ou confiscar uma urna eletrônica". Ele destacou que suas ações após as eleições de 2022 são de conhecimento público e estão documentadas, não sendo baseadas em suposições ou delações, conforme declarou Heinze em nota.

A assessoria de Pazuello informou que o deputado optou por não comentar sobre as acusações. Já a assessoria de Valdemar disse que se manifestará nos autos. A defesa de Paulo Sérgio esclareceu que o ex-ministro da Defesa "sempre agiu corretamente, é inocente e confia na Justiça". A defesa de Bolsonaro ainda não se pronunciou.