O vereador e candidato a deputado estadual Chicão Vianna (Republicanos) levou um trio elétrico para a frente da casa do médico Oséas Ohara, de 74 anos, pai do prefeito de Corumbá (MS), Dr. Gabriel, na 5ª.feira (1º.out.26).
Após ofensas de Chicão ao médico, o caso terminou em discussão, queda do idoso e registro de boletim de ocorrência por perturbação do trabalho ou do sossego alheio.
O episódio foi transmitido pelo próprio candidato nas redes sociais. Em cima do trio, Chicão fez ataques verbais ao prefeito e afirmou que corria o risco de “até levar um tiro do Dr. Oseas”. A fala ocorreu enquanto o veículo permanecia em frente à residência.
Vale observar que Chicão apoia a extrema direita, é bolsonarista e até declarou apoio ao Senado para Capitão Contar na internet. A fala irônica dele sobre “levar um tiro” se deve ao fato de que Oséas também é bolsonarista, grupo político que, por sua vez, atuou e defende medidas que promovam a liberação de armas para civis.
Segundo o boletim de ocorrência, Oséas saiu de casa após ouvir a azoada do trio e, durante a discussão, tentou jogar um ovo contra o trio elétrico. O idoso perdeu o equilíbrio, caiu e sofreu escoriações no joelho.
Esse é apenas mais um capítulo da já conturbada campanha de Chicão, que enfrenta disputa na Justiça Eleitoral por causa da troca do PSB pelo Republicanos.
CANDIDATO É ALVO DO TRE-MS
Chicão foi eleito vereador de Corumbá pelo PSB em 2024. Em abril deste ano, deixou a legenda e passou para o Republicanos, pelo qual disputa uma vaga de deputado estadual.
A saída provocou uma ação do próprio PSB no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), com pedido de perda do mandato por infidelidade partidária.
O Ministério Público Eleitoral se manifestou pela procedência da ação e pela perda do mandato. O processo, porém, não resultou na cassação do vereador. Em julho, o PSB desistiu da ação após Chicão apresentar carta de anuência para a desfiliação.
QUESTIONAMENTO SOBRE APOIO
Dias antes do episódio do trio elétrico, o nome de Chicão também apareceu em relatos publicados pela imprensa estadual sobre suposto recebimento de recursos relacionado a apoio político para uma candidatura a deputado federal.
A acusação publicada é de que o vereador teria recebido uma segunda parcela de um acordo e, posteriormente, mudado de posição política.
Até o momento, o relato não equivale a uma irregularidade reconhecida pela Justiça Eleitoral. Os dados oficiais de arrecadação da campanha, por outro lado, mostram que Chicão declarou R$ 400 mil em receitas eleitorais.
Entre os valores declarados estão R$ 150 mil da direção estadual do Republicanos, R$ 100 mil da direção nacional da legenda e R$ 150 mil de Jaime Elias Verruck.
OUTRO LADO
Para garantir o contraditório, a reportagem procurou o vereador e candidato Chicão Vianna para que se manifestasse sobre o episódio e respondesse aos questionamentos da reportagem.
Questionado sobre o que motivou ele realizar uma manifestação em frente à casa do idoso, usando um trio elétrico para sobrepor o muro da residência, Vianna enviou uma nota na qual afirma ter sido alvo de ataques nas redes sociais feitos pelo médico Oséas Ohara. Leia a nota na íntegra:
Há algum tempo, o Sr. Oséas Ohara vem fazendo manifestações públicas a meu respeito que considero ofensivas e prejudiciais à minha imagem. Mesmo diante dessas manifestações, sempre procurei agir com respeito e jamais respondi com agressões ou ameaças.
O episódio de hoje teve origem na divulgação, nas redes sociais, de uma informação de que eu estaria desistindo da minha candidatura. Essa informação não é verdadeira e provocou enorme repercussão. Familiares, amigos, apoiadores e diversas outras pessoas entraram em contato comigo questionando por que eu teria desistido da eleição, quando, na realidade, continuo candidato e sigo normalmente com minha campanha.
Diante disso, fiz uma manifestação pública para exercer meu direito de esclarecer os fatos e desmentir essa informação. Meu objetivo era exclusivamente deixar claro que não desisti da candidatura.
Durante a manifestação, dirigi-me ao Sr. Oseas sem ameaçá-lo, agredi-lo ou utilizar violência. Em determinado momento, contudo, ele se aproximou e tentou arremessar objetos em minha direção, inclusive uma pedra, conforme registrado em imagens do episódio.
Sobre a informação de que o Sr. Oseas teria se machucado, esclareço que eu não o agredi nem tive qualquer contato físico com ele. Os vídeos feitos pelos cidadãos corumbaenses mostram que ele acabou se machucando durante a própria movimentação realizada quando tentava me atingir com a pedra.
Independentemente das divergências existentes, não desejo mal ao Sr. Oseas nem a qualquer pessoa. Lamento que uma divergência política tenha chegado a esse ponto e espero que os fatos sejam esclarecidos pelas autoridades competentes, às quais serão apresentadas as provas disponíveis.
Continuarei exercendo meus direitos de forma pacífica, defendendo minha honra e esclarecendo informações falsas a meu respeito pelos meios legais.
A reportagem do MS Notícias não conseguiu contato com o Dr. Oséas Ohara para ouvi-lo sobre o caso. O espaço segue aberto para eventual posicionamento do médico.








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