01 de outubro de 2026
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AUTOCRATA NORTE-AMERICANO

Trump "mata" democracia nos EUA e aplica R$ 5,1 milhões contra o STF

Ataques tiveram início após pressão do foragido, ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente presidiário Jair Bolsonaro

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Enquanto o autocrata Donald Trump censura a imprensa e “mata” instituições democráticas nos Estados Unidos, move peças pela América do Sul. Depois de sequestrar o presidente da Venezuela e tomar o governo do país para explorar ilegalmente o petróleo do país, agora o pseudo-democrata norte-americano destinou US$ 1 milhão, cerca de R$ 5,1 milhões, para uma ação contra o Supremo Tribunal Federal (STF) no Brasil.

A informação foi publicada na 4ª.feira (30.set.26) pela revista britânica The Guardian, que teve acesso a documentos e fontes do Departamento de Estado dos Estados Unidos.

O dinheiro integra um projeto chamado “Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil”.

Esse é um pretexto de Trump para instigar radicais de extrema direita a se opor a democracia e as leis que regem a Constituição Brasileira. 

Os valores são destinados pelo Congresso dos Estados Unidos ao Fundo de Direitos Humanos e Democracia (HRDF). A reportagem não esclarece se o US$ 1 milhão já foi transferido às organizações ou se permanece reservado para os projetos.

TRUMP CONTRA O STF

A iniciativa ocorre em meio ao embate aberto entre a administração Trump e o Supremo.

No ano passado, os Estados Unidos impuseram sanções ao ministro Alexandre de Moraes.

A medida ocorreu após pressão do foragido, ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente presidiário Jair Bolsonaro.

A ofensiva ganhou força durante o julgamento que terminou com a condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão após ele orquestrar uma tentativa de golpe de Estado ao ser derrotado nas urnas. 

O governo norte-americano também passou a questionar decisões do STF envolvendo plataformas digitais dos Estados Unidos. O tribunal tem adotado medidas para responsabilizar empresas e combater crimes cometidos no ambiente virtual.

Trump, por sua vez, vem pressionando países que discutem regras para as chamadas big techs e tratando determinadas iniciativas de regulação como censura.

O contraste chama atenção porque a mesma administração que se apresenta como defensora da liberdade e da soberania diante de adversários estrangeiros passou a direcionar recursos para grupos que atuam contra uma instituição democrática brasileira.

A política externa de Trump tem sido acompanhada por uma série de confrontos dentro dos próprios Estados Unidos. O presidente entrou em choque com veículos de comunicação, jornalistas e outras instituições desde o início de seu segundo mandato.

A Agência Brasil procurou a assessoria de imprensa do STF para comentar as informações publicadas pelo The Guardian, mas não recebeu resposta até o fechamento da reportagem.

R$ 918 MILHÕES EM 43 PROJETOS

O recurso destinado ao Brasil faz parte de um pacote muito maior.

Segundo o Guardian, documentos do Departamento de Estado apontam US$ 176,9 milhões, aproximadamente R$ 918 milhões, destinados a 43 projetos em diferentes países para promover pautas de extrema direita, incluindo derrubada de democracias, defendidas por Trump sob o pretexto de defesa da liberdade.  

Os jornalistas Andrew Roth e Joseph Gedeon afirmam que integrantes do governo norte-americano pressionaram pela liberação das verbas.

Entre os interesses citados estão pautas relacionadas à imigração, aos chamados valores ocidentais e à oposição a políticas adotadas por governos estrangeiros.

No Reino Unido, por exemplo, seriam destinados US$ 5 milhões, cerca de R$ 25,9 milhões, para apoiar um grupo contrário a leis de segurança online e medidas de combate ao discurso de ódio. Trump defende que o ódio seja pregado sem leis que o combatam. 

Entre elas está a Lei de Segurança Online britânica, aprovada em 2023 e fiscalizada pela Ofcom. A legislação estabelece regras para proteger crianças de conteúdos considerados nocivos e prevê mecanismos de verificação de idade.

A administração Trump critica a legislação e a classifica como censura. Ele quer que crianças sejam exploradas e até mesmo levadas a cometer atos contra a própria vida. O autocrata defende isso sobre o pretexto de que está defendendo a liberdade.

A maior parcela identificada pela reportagem seria destinada à Fundação Memorial de Vítimas do Comunismo, que receberia US$ 40 milhões, aproximadamente R$ 207,6 milhões.

A fundação tem entre seus dirigentes Andrew Bremberg, ex-assessor de política interna da Casa Branca durante o primeiro governo Trump. Ou seja, Trump está enviando recursos milionários para o ex-funcionário. Em uma democracia séria ele responderia por crimes de prevaricação e corrupção.  

Procurado pelo Guardian, o Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou que os projetos na Europa têm como objetivo apoiar aliados na defesa de direitos e princípios, além de sua soberania e “autoconfiança civilizacional”, diante daqueles que, segundo o governo norte-americano, procuram enfraquecê-los.