26 de fevereiro de 2021
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Sem Pedra, relação de Bernal com Câmara deve ficar ainda pior, dizem vereadores

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Com cassação do mandato dos vereadores de Campo Grande, Thais Helena (PT), Paulo Pedra (PDT) e Delei Pinheiro (PSD) condenados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) por compra de votos, quem perde de imediato é prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (PP) que terá base menor na Casa. 

Com desfalque de seu “braço direito” Paulo Pedra (PDT), que retornaria para Câmara, o desconforto entre Bernal e Legislativo, que declaradamente não andam em sintonia, desde que o prefeito voltou ao cargo.

Um dos principais oposicionistas de Bernal (PP), vereador Paulo Siufi (PMDB) lamentou a situação dos pares na Casa, porém não isentou Pedra e Bernal sobre a “relação” com o Legislativo e pondera que com cassação de Pedra a crise politica deve se agravar apra lado de Bernal.

“Fico triste pela vereadora Thais Helena e pelo Delei Pinheiro, pois são nossos colegas de trabalho, agora o Pedra tomou uma postura contraditória nos últimos tempos, uma época era um intenso opositor de Olarte e parece que quando chegou à Secretaria essa “chama” foi apagada quando ficou ao lado de Bernal. O Bernal não tem situação boa com ninguém. Ele tem uma unanimidade contrária, o próprio Zeca que defendia ele disse que o Bernal voltou pior do que antes, então pior que ele só o capeta, se já estava ruim, vai ficar ainda pior, porque secretário não pode ter ficha suja”, disse o vereador. 

“Acusações”

Siufi ainda lembrou que Bernal acusou os vereadores da Casa chamando-os de “bandidos”, mas lembrou que agora quem tem um secretário “ficha suja” é ele. “Essa situação ficou complicada com a cassação, ele falou que todo vereador é bandido, mas ele tem que provar o que fala. Eu não sou bandido e os colegas também não. Vamos provar por meio do Gaeco que não vendemos o voto e que não houve nenhuma artimanha, que ele saiu por motivos sérios e reais e agora ele tem que pensar que além dos problemas da cidade tem problema com sua base”, bombardeou Siufi. 

O vereador Eduardo Romero (Rede Sustentabilidade) não quis comentar a situação dos colegas da Casa, mas analisa um cenário ainda mais complicado com a cassação de Pedra. “O Executivo tem um grande desafio, de manter uma boa relação com o Legislativo e isso não está ocorrendo dentro da Casa. Era importante ampliar a base, o que não ocorreu, não conseguiu implantar um líder, que é uma peça importante no diálogo com o prefeito. Está faltando habilidade, não sei qual é a estratégia dele, principalmente quando estamos discutindo a vida financeira do município. Sobre o secretário, independente de quem for, é importante estabelecer mais diálogo e não só funcionar para o Executivo e sim para todos”, destacou Romero. 

Cassação

Em 2012, os vereadores foram denunciados por comprar votos em troca de tickets de gasolina. Depois de investigações, o Ministério Público Eleitoral efetuou denúncia. Com cassação, assume no lugar de Thais Helena, Roberto Santos Duraes, do PT (1890 votos), no lugar de Delei Pinheiro, assume Juliana Zorzo  do PSC (2882 votos) que já ocupou cadeira na Câmara como suplente e Herculano Borges, e no lugar de Paulo Pedra, o vereador Eduardo Cury do PTdoB (3440 votos) tem cadeira garantida.