21 de outubro de 2021
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CORRUPÇÃO | INTERIOR

"Dark Money": casas do ex-prefeito e ex-secretário de Maracaju são alvos da polícia em MS

Esquema criminoso teria desviado mais de 23 milhões dos cofres públicos de Maracaju

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Operação Dark Money deflagrada nesta quarta (22.set.21) pela Polícia Civil em Maracaju (MS), teve como alvo as casas do ex-prefeito, Maurílio Azambuja (MDB) e seu ex-secretário de Finanças, Planejamento e Administração, Lenílso Carvalho

Viaturas do Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco) foram fotografadas em frente as casas dos ex-agentes públicos. 

A polícia disse que apurou que no exercício 2019/2020 um esquema criminoso teria desviado mais de 23 milhões dos cofres públicos de Maracaju. 

A Polícia Civil, por meio do DRACCO, cumpriu 06 (seis) mandados de prisão temporária, havendo mais 01 mandado de prisão temporária em aberto, sendo o investigado considerado foragido, além de cumprimento de 26 (vinte e seis) mandados de busca e apreensão e ainda, promoveu o bloqueio de bens, dentre outras medidas cautelares determinadas pela Justiça.

As ações policiais desta fase das investigações miram servidores públicos que atuaram no alto escalão do executivo municipal no exercício de 2019/2020. Além disso, há empresários e empresas com envolvimento no esquema.

Equipes do DRACCO, com o suporte técnico do LAB-LD - Laboratório de Lavagem De Dinheiro, unidade especializada do Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado, constataram que foi criada uma conta bancária de fachada, diversa da oficial e não declarada aos órgãos de controle interno e externo do município, por onde foram promovidos mais de 150 (cento e cinquenta) repasses de verbas públicas em menos de 01 (um) ano.

A partir de negócios jurídicos que a polícia chama de “dissimulados”, integrantes do alto escalão da prefeitura emitiram mais de 600 lâminas de cheques, que totalizaram mais de 23 milhões de reais, a empresas, sem qualquer lastro jurídico para amparar os pagamentos.

Empresas beneficiárias dos valores não mantinham relação jurídica com a prefeitura (licitação, contrato ou meio legal que amparasse a transação financeira). Além disso, não havia emissão de notas fiscais e os valores não eram submetidos a empenho de despesas, operações legais obrigatórias no caso de entes públicos.

O Judiciário de Maracaju autorizou várias medidas cautelares como mandados de prisão temporária contra servidores públicos e particulares, busca e apreensão em empresas, bloqueio de bens e outras, todas cumpridas na presente data pela PCMS, após parecer favorável do Ministério Público e decisão do Poder Judiciário da Comarca de Maracaju.

Sob coordenação do DRACCO - que preside o inquérito policial participaram da Operação Dark Money policiais civis de várias Unidades da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul: DPI (DP's Paraíso das Águas, Naviraí, Nova Andradina, Nova Alvorada, Corumbá, Ponta Porã, Nova Alvorada do Sul, Itaporã, Rio Brilhante, mundo novo e Maracaju...), Departamento de Polícia da Capital (GOI, 1°, 2° e 3° DP), Departamento de Polícia Especializada  (Derf e Defurv) , Departamento de Inteligência da PCMS é uma equipe da PCPR - GRupo de Diligências Especiais - GDE da Polícia Civil de Umuarama PR após constatação de deslocamento de um dos alvos para o Estado do Paraná que acabou localizado e preso em um hotel naquela cidade.

As ações de Polícia Judiciária Civil foram realizadas no Município de Maracaju, Corumbá, Ponta Porã e Campo Grande e envolveram 60 (sessenta) policiais civis do estado do MS e ainda na cidade de Umuarama através de uma equipe da PCPR.

A expressão Dark Money, atribuída à Operação do DRACCO, é uma alusão à natureza do dinheiro fruto da corrupção sistêmica que atinge setores públicos e perpetrada por seus gestores.