19 de maio de 2024
Campo Grande 18ºC

PRÉ-CANDIDATO

Defesa de Marquinhos Trad afirma "armação política vergonhosa"

Garota de programa afirmou que recebeu R$ 2 mil para registrar denúncia contra o ex-prefeito

A- A+

O pré-candidato Marquinhos Trad (PSD), elegeu as advogadas Andrea Flores e Rejane Alves Arruda para defender-se de acusações de “assédio sexual”. Elas disseram nesta terça-feira (26.jul.22) que o político é alvo de uma “armação política vergonhosa”. 

As advogadas deram uma coletiva à imprensa às 11h desta terça em um escritório de advocacia na Rua Patagônia, 366 – Jardim Bela Vista em Campo Grande (MS).

Na ocasião, garantiram que elas, como mulheres, “jamais estariam fazendo a defesa de Marquinhos caso não estivesse claro que o pré-candidato é alvo de uma armação”. Trad lidera as pesquisas para governo em Mato Grosso do Sul.   

A advogada Andrea Flores. Foto: Tero QueirozA advogada Andrea Flores. Foto: Tero Queiroz

Como mostramos mais cedo aqui no MS Notícias, está documentado em cartório a afirmação de uma garota de programa que confessa ter recebido “R$ 2 mil de adversários de Marquinhos” para que fizesse uma falsa denúncia de assédio sexual.

“Uma cafetina arregimenta garotas de programa para denunciá-lo”, apontou a defesa.  “Uma 4ª [suposta vítima] afirma que nem conhece [Marquinhos] pessoalmente. Quatro moças foram ouvidas, mas nem todas se colocaram como vítimas. Foram requeridas medidas protetivas de urgência, mas foram indeferidas”, esclareceu a defesa.

“Vamos solicitar abertura de inquérito para investigar denunciação caluniosa e já temos a autoria dela. Inquérito para apurar violação de segredo. Precisamos deixar muito claro que Marquinhos nos procurou depois que já havia sido vinculado trechos destas moças procurando autoridade policial. Um inquérito por crime de abuso de autoridade, tudo já formalizado. Vamos provar que houve crime sim, mas não foi Marquinhos quem praticou, mas estas pessoas que estão fazendo armação e são ligadas a candidato opositor”, declarou Andrea.

Advogada Rejane Alves de Arruda mostra documentos à imprensa. Foto: ReproduçãoAdvogada Rejane Alves de Arruda mostra documento à imprensa. Foto: Reprodução

A reportagem questionou se seria possível o acesso ao documento assinado em cartório em que a garota de programa afirma que foi paga para fazer a falsa denúncia. “[sim], mediante a autorização da moça, porque em 1º lugar nós queremos protegê-la”, respondeu a defesa. 

Também foi questionado na coletiva quando Marquinhos iria se pronunciar oficialmente sobre o assunto. “[Nesse momento] a gente que vai falar, a defesa, porque eu acho que ele tem algo maior que é se preparar para a convenção no dia 30 [de julho]. E depois conquistar e provar sua inocência para seu eleitorado”, argumentou a advogada. 

“Pessoas estão sendo aliciadas, recebendo dinheiro para chegar em autoridades e contar mentiras, histórias fraudulentas, para formar um inquérito contaminado de mentiras ”, pontuou Rejane Alves.

As provas de armação nos depoimentos, com comprovantes de transferência bancária para as falsas acusações e propostas financeiras em troca de fotos ou vídeos, incluindo nomes de pessoas que estão encabeçando a armação, serão anexadas ao inquérito. “Temos certeza de que há uma armação feita pela oposição, cooptada através de uma cafetina, para que garotas de programas venham fazer estas falsas denúncias. Já está comprovado e vamos, na medida do possível, trazer à tona. Vamos tomar todo cuidado em proteger estas moças, que são vítimas desta armação. Elas poderão nos contatar. Somos mulheres e vamos protegê-las", concluiu Andrea Flores.

A defesa de Trad disponibilizou um contato: “(67) 9 9968-5685 para” para acolher mulheres aliciadas e amedrontadas. A dupla garantiu que caso as supostas vítimas as procurem, terão “todo apoio jurídico”.

O ex-prefeito admitiu ter mantido relação consensual com duas mulheres na faixa etária de 30 a 31 anos. Entretanto, nesse caso, não configura “abuso sexual”.

Ainda de acordo com as advogadas, no inquérito estão sendo investigadas de quatro pessoas, mas só houve vazamento do nome do pré-candidato.

SECRETÁRIO DE SEGURANÇA PÚBLICA 

Suposta conversa entre o secretário da Segurança Pública do MS, Antônio Carlos Videira, e o ex-prefeito Marquinhos Trad (PSD), candidato ao governo do estado Reprodução/Reprodução Suposta conversa entre o secretário da Segurança Pública do MS, Antônio Carlos Videira, e o ex-prefeito Marquinhos Trad (PSD), pré-candidato ao governo do estado. Foto: Reprodução

A defesa também confirmou ao MS Notícias que em 2 de julho Marquinhos sentiu-se ameaçado pelo secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Antônio Carlos Videira. "Isso aconteceu em 2 de julho, foi em virtude de uma manifestação de apoio que ele fez aos indígenas, após aquele conflito que envolveu a PM lá em Amambai. Chegou ao conhecimento dele uma manifestação do secretário criticando ele em um grupo de WhatsApp e aí ele copiou essa mensagem, mandou para o secretário e falou: escuta, você está falando de mim? Vamos conversar! E nesse contexto, ele se sentiu ameaçado pelas palavras que foram proferidas pelo secretário de Justiça e Segurança Pública", disse, ressaltando que esse processo foi juntado ao inquérito para justificar a animosidade entre Trad e Videira, mas não tem relação direta com as acusações.  

O ataque do Batalhão de Choque da Polícia Militar, criticado por Marquinhos Trad, ocorreu em 24 de junho no território Guapo'y, na fazenda "Borda da Mata", e terminou com a morte de Vitor Fernandes, de 42 anos em Amambai (MS). O juiz Thales Braghini Leão da Justiça Federal da 3ª Região condenou o ataque da PM sul-mato-grossense. — Tratando-se de conflito coletivo de disputa indígena pelas terras tradicionalmente ocupadas por seus povos, a competência federal se impõe e afasta qualquer margem de atuação de órgãos de segurança pública local por conta própria. A Polícia Federal é a autoridade policial judiciária e ostensiva neste tipo de situação, de modo que não se pode admitir que as forças locais atuem sem a liderança dela, ou sem ordens judiciais. Esse tipo de atuação apenas agrava o conflito e parece acelerar as urgências para concessão de liminares, com pressões populares, midiáticas e de autoridades — explicou o magistrado num processo publicado na íntegra no MS Notícias.  

Videira, entretanto, foi em rede nacional justificar o massacre que deixou inclusive jovens indígenas com as vísceras expostas. Ainda na mensagem para Marquinhos, Videira diz: "Retrate-se Marcos, só isso que os policiais estão esperando. Elogie o pessoal do choque, afinal, foram três deles feridos a tiros", argumentou o secretário de Justiça e Segurança de MS. 

Já na troca de mensagens, Marquinhos deixar percebido que sabe o que "estão produzindo contra ele e sua farmília". Na sequência o secretário avisa: "Só precisamos alinhas as falas sobre a segurança pública daqui para frente", diz no aplicativo de conversa. E o secretário continua: "Os homens da polícia não podem ser massacrados, Marcos".  

OUTRO LADO

Também nesta manhã, o Delegado-geral da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, Roberto Gurgel Filho, marcou coletiva à imprensa para sustentar que de fato “existem investigações em andamento e correm sob segredo de justiça, para apurar o envolvimento do ex-prefeito da Capital, Marquinhos Trad (PSD), com abuso sexual”.

Além do delegado, estavam presentes a delegada-adjunta da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), Maíra Pacheco e o Diretor de Delegacia Especializada, Dr. Edilson Pereira Santos.

"Não existe 'fake news', foi instaurado um inquérito policial, onde estão sendo investigados crimes contra dignidade sexual, assédio sexual, estupro na forma tentada e favorecimento à prostituição. Inicialmente houve denuncia de quatro vítimas, e posteriormente outras mulheres procuraram a delegacia", explicou a delegada. 

A delegada detalhou que o inquérito tem prazo de 30 dias para ser concluído, podendo ser prorrogado.