01 de julho de 2022
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BADERNA NA CASA DE LEIS

Deputado bolsonarista se cala ao ser perguntado se o avô era "comunista" (vídeo)

Marcelo Miranda integrou o governo Lula, pessoa que o deputado bolsonarista acusa de ser 'comunista'

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A Casa de Leis sul-mato-grossense virou motivo de chacota nacional nesta quarta-feira (18.mai.22). Sites de grande circulação touxeram em suas machestes o nome do deputado bolsonarista João Henrique Catan (PL), que durante sessão ontem (17.mai), descarregou uma pistola ameçando pessoas que divergem de ideias utradireitistas, classificando-as como "comunistas". 

Catan disse: "Esse projeto é um tiro de advertência no comunismo". Na ocasião, os deputados de MS aprovaram o projeto de lei  Projeto de Lei 417/2021 que reconhece o risco da atividade de atirador desportivo, de autoria de Catan. Como mostramos mais cedo aqui no MS Notícias, a reação foi imediata e dura, vinda do próprio presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS), deputado Paulo Corrêa, que apesar de ser bolsonarista, não gostou da atitude de Catan. “Não pode fazer isso, houve um exagero”, avisou Paulo. 

Depois do episódio lastimável ser transmitivo ao vivo pelo canal da Casa da Democracia sul-mato-grossense, neste manhã de quinta (18.mai), Catan se calou ao ser confrontado pelo deputado de oposição, Pedro Kemp (PT). O petista citou o nome do ex-governador, Marcelo Miranda, avô de Catan, para questioná-lo: “Ele não foi diretor do Dnit? Em qual governo? Seu avô é comunista? Palhaçada isso de chamar os outros de comunistas, sem ser. Isso é para assustar as pessoas, fazer debate de forma rasa!”, cravou Kemp. 

Em 1976, Marcelo Miranda foi eleito prefeito de Campo Grande. Em 1979 foi nomeado governador de Mato Grosso do Sul, ficando no cargo até o ano seguinte. Em 1982 foi eleito senador. Anos depois, já experiente na política, Miranda integrou o governo Lula

O devaneio do bolsonarista foi tão grande, que durante o grande expediente nessa manhã (18.mai) ele comparou sua demostração de tiros a uma visita de outro deputado a uma escola. 

Catan ainda seguiu dizendo que por ser advogado e ter conquistado porte de arma não estaria fazendo uma ameaça na sua demonstração de ontem. "Existe um direito de não produzir provas contra si", destacou.

O deputado seguiu fazendo acusações sem dizer nomes e voltou a falar que o PT é comunista e atacou o Movimento Sem Terras (MST). Além de fazer elogios ao seu aliado, Jair Bolsonaro, Catan disse que as pessoas que integram 'os Sem Terras', são "massa de manobra". Ele ainda distorceu uma fala do deputado Jaime Teixera, porém, na sequência foi desmentido. 

Veja a íntegra:  

No grande expediente, Kemp alertou que o bode está na sala dele: “Aliás, o seu avô quando foi governador do Estado não pagava em dia o salário dos seus servidores, o senhor não deve lembrar. A governadoria foi ocupada pelos servidores e seu avô não conseguia entrar lá para governar. Quando foi bom para seu avô ocupar um cargo com salário bom, não era comunismo. Não aguento hipocrisia!”, citou. 

Veja íntegra da fala de Kemp:

O petista criticou a inflação alta, o preço dos combustíveis e alimentos e associou o presidente Jair Bolsonaro (PL) com o facismo. Vendo que Kemp estava massacrando o deputado bolsonarista, outro aliado de Bolsonaro, Coronel David (PL), disse a Kemp para manter a calma. “O senhor criticou João Henrique de falar sobre comunismo, mas o senhor subiu aí e falou de facismo e atribuiu isso a Bolsonaro. Hipocrisia é o senhor falar isso, o que vale para um tem que valer pra outro. O senhor não é melhor do que ninguém aqui dentro", disparou.  

Esse é Pedro Kemp. Foto: Reprodução Esse é Pedro Kemp. Foto: Reprodução 

Kemp, não deixou barato, disse para David provar que Bolsonaro não é facista que ele provaria que Lula não é comunista. Ele ainda cobrou explicações de João Henrique. “Vossa Excelência fica devendo explicação do teatro que fez ontem. Seria interessante começar explicando para a Corregedoria. Cuidado sair atirando aí que uma hora a bala pode pegar sua bunda", completou.