29 de setembro de 2020
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Diferente do cenário nacional, sindicalistas do Estado afirmam estar com o PT para o que der e vier

Se de um lado as lideranças nacionais do PT (Partido dos Trabalhadores) estão preocupadas com a distância entre o partido e líderes sindicalistas, considerados parte importante da base de sustentação do partido, em Mato Grosso do Sul, ao que tudo indica, a bancada petista não tem muito com o que se preocupar, tendo em vista o fiel apoio da classe ao partido, mesmo diante de uma relação parcialmente desgastada.

Para o deputado federal Antônio Carlos Biffi (PT), independente de alianças, coligações e decisões que o partido tome, o Partido dos Trabalhadores sempre poderá contar com o auxílio e parceria de seus militantes. “O movimento sindical está com o PT. É sabido que independente do vice-governador ser ou não do movimento social ou sindicalista, sempre teremos o apoio e a participação deles no processo eleitoral”, garante.

Diferente da visão otimista que tem o deputado em relação ao cenário em Mato Grosso do Sul, nacionalmente o PT busca traçar novas rotas que aproxime o governo federal dos sindicalistas, que, insatisfeitos, alegam um esquecimento por parte da presidente Dilma Rousseff (PT). A tacada de mestre do governo do PT foi nomear como presidente da bancada do partido na Câmara de Deputados o ex-presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e líder sindical, deputado federal Vicentinho (PT-SP).

Assim como Biffi, o presidente da Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação DE Mato Grosso do Sul), Roberto Botareli, que é um dos nomes defendidos pelo vereador e ex-governador do Estado Zeca do PT para assumir o posto de vice-governador, afirma que, embora não esteja a todo vapor, a relação entre PT e movimentos sociais não será quebrada no Estado devido à “fidelidade partidária”, mesmo que em nome dela alguns quesitos ideológicos do partido sejam contrariados.

“Eu sempre defendi que o PT deve estar próximo dos movimentos sociais e essa proximidade pode sim ser maior do que é hoje. Esta é a origem petista e junto conosco o PT é forte o suficiente para alavancar o Estado. Eu sou um soldado do partido e sei que a grande maioria dos movimentos continuarão apoiando o PT”, alega.

Questionado se o apoio aos petistas persistiria caso o partido se aliasse com o PSDB do deputado federal Reinaldo Azambuja que defende bandeiras e ideais opostos a ideologia petista, ou elegesse como vice de Delcídio o secretário Edson Giroto (PR) fiel companheiro do atual governador André Puccinelli, Botareli não recua em sua decisão e reforça seu posicionamento.

“Independente da decisão que for tomada, seja ela qual for, como militante eu vou continuar defendendo a posição do partido, pois eu tenho fidelidade partidária, porém, creio que essas possibilidades são remotas e a decisão final irá ser debatida por todo o partido em nossa convenção”, relata

Clayton Neves