25 de maio de 2024
Campo Grande 14ºC

'DIPLOMACIA MAIÚSCULA'

"Entendimento Brasil-China é vantajoso para todos", diz Vander Loubet

"É um passo gigantesco de afirmação política e socioeconômica do País como protagonista nas relações internacionais"

A- A+

Embora não tenham sido rompidas, as relações diplomáticas entre o Brasil e a China tiveram nos últimos quatro anos graves estremecimentos, causados pelas hostilidades do governo de Jair Bolsonaro (PL). O Itamaraty, nesse período, criou graves fissuras com ataques e ofensas de cunhos ideológico e étnico aos chineses, desconsiderando padrões básicos de convivência humana e agredindo o maior parceiro comercial do País.

Agora, com o presidente Lula (PT), a diplomacia está sendo plenamente restaurada. Novos horizontes se abrem, numa amplitude sem precedentes para grandes e recíprocos benefícios entre os dois países. "Vivemos um momento novo, diferente. O passado ficou no passado. Temos na gestão do Brasil um estadista, alguém que não faz da investidura no poder um meio de retaliação política ou ideológica. E quem ganha é o povo brasileiro", diz o deputado federal Vander Loubet (PT/MS).

Coordenador da bancada federal em Brasília — três senadores e oito deputados — Loubet está na lista de convidados do presidente Lula (PT) para fazer parte da delegação que irá à China no final deste mês. A viagem deve acontecer entre os dias 24 e 30. Os dirigentes das duas nações alimentam expectativas bastante otimistas e já fazem projeções sobre a ampliação e o aprofundamento da cooperação mútua. "Este será um passo gigantesco de afirmação política e socioeconômica do País como protagonista nas relações internacionais", avalia o coordenador.

Alguns sinais efetivos desta reaproximação bilateral já são dados, um deles com a participação de Loubet. No último dia 07, em nome da Frente parlamentar Brasil-China, ele e os deputados federais Fausto Pinato e Carlos Zarattini foram recebidos pelo embaixador Mauro Vieira, atual ministro das Relações Exteriores. "Esse encontro abordou a programação da viagem do presidente Lula e a importância do fortalecimento da relação entre os dois países, não só na questão da economia, mas também na geopolítica.
Aproveitamos ainda para convidar o ministro para a reinstalação da Frente na Câmara, que deve acontecer no dia 17", explica.

CARNES

Uma das demandas alinhadas pelo mandato de Vander Loubet é a luta pela habilitação de mais frigoríficas brasileiras para fomentar a exportação de carne ao país oriental. É um tema que já foi assunto em reunião com o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, e o embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, no último dia 10, em Brasília. Loubet lembra que após cinco anos sem novas habilitações, o diálogo e o trabalho em conjunto com o país chinês voltaram a ser pautados no governo Lula.

Ele afirma ser preciso melhorar a distribuição das habilitações para todas as regiões brasileiras e capacitar diferentes empresas. Hoje, cerca de 73% das habilitações estão concentradas nas mãos de apenas três grupos do setor. "A economia só respira se tiver oxigênio. E sua oxigenação depende da abertura do mercado, da democratização dos espaços para assegurar a presença cada vez mais ampla do empreendedorismo", considera.

DESDE 74 

As relações diplomáticas entre brasileiros e chineses começaram em 1974. E o diálogo avançou com a criação da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban), em 1974, e com o Plano de Ação Conjunta (PAC), em 2010, com o objetivo de definir orientações e metas para essas relações. Em 2015, Brasil e China tiveram suas relações elevadas ao patamar de “Parceria Estratégica Global”, por meio de uma versão atualizada do Plano de Ação Conjunta (PAC), com vigência entre 2015 e 2021, assinada pela presidenta Dilma Rousseff  e pelo primeiro-ministro chinês Li Keqiang.

Nos últimos anos, o país asiático é o maior protagonista como destino das exportações brasileiras. De acordo com o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), em 2021 o volume de comércio e mercadorias entre Brasil e China atingiu US$ 125 bilhões nos três primeiros trimestres. O número representou um crescimento de 44% em relação ao ano anterior. No entanto, Loubet pontua que houve uma pequena retração em 2022 e por isso a retomada do diálogo será essencial para revitalizar as relações.

"A China é o principal parceiro comercial de 19 dos 27 estados do Brasil. Caminhamos para que essa participação cresça. E seguimos também no apoio à agenda temática do presidente Lula, que inclui uma pauta de sustentabilidade com o governo chinês", observa. Ele ressalta que os dois países querem explorar esse tema, uma prioridade para Lula.

O Brasil, frisa Loubet, quer melhorar sua imagem diante do mundo. "Somos os maiores emissores de carbono e precisamos efetivar nossos compromissos com a defesa da atmosfera e do meio ambiente. Por isso, necessitamos investir em tecnologia verde e conhecimento, articulando-nos com o mundo", finaliza.