04 de março de 2026
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ELEIÇÕES 2026

Isolamento partidário ameaça Nelsinho Trad no PSD

Nelsinho depende de uma eventual ruptura entre o grupo de Reinaldo/Riedel e a ala bolsonarista

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O panorama eleitoral para o senador Nelsinho Trad (PSD) apresenta um contraste significativo entre o desempenho nas pesquisas e a articulação partidária interna. Embora figure com bons índices de intenção de voto para a renovação de sua cadeira no Senado, o parlamentar enfrenta o risco de disputar o pleito de 2026 sem uma base sólida de candidatos proporcionais (deputados estaduais e federais) e fora da principal coligação governista de Mato Grosso do Sul.

O atual isolamento é apontado como reflexo de decisões tomadas no pleito municipal de 2024. Na ocasião, o senador interveio em candidaturas do PSD, barrando projetos em municípios estratégicos, como Campo Grande — onde o deputado Pedrossian Neto manifestava interesse — e em São Gabriel do Oeste, caso que gerou judicialização e desgaste entre os filiados.

As consequências dessa condução começam a se materializar na debandada de lideranças:

  • Pedrossian Neto: Único deputado estadual do partido, está em processo avançado de migração para o Republicanos.

  • Barbosinha: O vice-governador deve deixar a sigla para buscar viabilidade na manutenção de sua posição na linha sucessória estadual.

  • Jaime Verruck: O secretário de Desenvolvimento, que chegou a cogitar o Senado, deve migrar para o PP para disputar uma vaga na Câmara Federal.

Sem esses nomes, o PSD chega ao ano eleitoral com dificuldades para montar chapas competitivas de deputados, o que retira do senador o apoio de "cabos eleitorais" de luxo nas bases municipais.

ENTRAVE NA CHAPA MAJORITÁRIA

A tentativa de Nelsinho Trad de integrar o bloco de apoio ao governo estadual esbarra em composições nacionais e regionais. A intenção de repetir a aliança com o ex-governador Reinaldo Azambuja (PSDB) enfrenta a resistência do PL.

Com o anúncio do deputado Marcos Pollon como pré-candidato do PL ao Senado, as duas vagas da chapa governista estariam, teoricamente, preenchidas (uma para o PSDB e outra para o PL).

Para reverter este quadro, Nelsinho depende de uma eventual ruptura entre o grupo de Reinaldo/Riedel e a ala bolsonarista, cenário que o senador mantém sob expectativa, afirmando que o tabuleiro político ainda sofrerá movimentações antes das definições oficiais.

SALVAÇÃO NO FUNDO ELEITORAL?

A ausência de outros candidatos majoritários e proporcionais de peso no PSD garante a Nelsinho o controle majoritário dos recursos do Fundo Eleitoral destinados à legenda no estado.

No entanto, não é possível saber se o recurso financeiro será suficiente para compensar a falta de palanques regionais e o engajamento de militâncias que candidatos a deputado costumam levar às ruas.