Mato Grosso do Sul assiste a um espetáculo político que mistura tecnologia e velhas práticas de clã. O deputado estadual João Henrique Catan, por meio de uma espécie de rede digital organizada, passou a divulgar um manifesto que chamou de “O Novo Caminho para MS”. A íntegra.
O documento, produzido com uso da inteligência artificial NotebookLM, é uma peça preguiçosa que oscila entre o manifesto messiânico e o desleixo técnico absoluto.

Aquilo que pretende ser um guia para a jornada de Catan rumo ao Poder Executivo em 2026 é, na verdade, um inventário de contradições, omissões estratégicas e uma demonstração cabal de como a estética do "novo" serve para camuflar as estruturas mais arcaicas do poder hereditário sul-mato-grossense.
No “manifesto”, Catan constrói uma narrativa de “salvador” para camuflar heranças políticas, gastos públicos milionários e episódios de extremo mau gosto, como a exibição de Mein Kampf no plenário. A promessa de inovação se perde em uma miragem digital, enquanto a prática revela o deputado mais preocupado com cliques do que com gestão.
(7.mar.2023) — Deputado João Henrique Catan celebra livro do ditador mais sanguinário da história, Adolf Hitler. Crédito: Print do Youtube da ALEMS Até mesmo um cidadão comum percebe falhas de formatação; a realidade é mais grave: o endereço eletrônico indicado para engajamento, novo.org.br/ms, é inexistente ou inacessível. Um erro 404 que simboliza o vazio de propostas concretas. Para um parlamentar que prega eficiência e modernização, falhar em manter um link ativo é um ato falho que expõe a prioridade da imagem sobre a funcionalidade.
HERDEIRO, NÃO DAVI
(13.ago.2019) — Marcelo Miranda é homenageado pelo neto, o deputado estadual João Henrique Catan — herdeiro político que ilustra o fenômeno do 'nepo baby' na política sul-mato-grossense. Foto: ALEMS | ArquivoO manifesto tenta vender Catan como um “Davi Legislativo” contra a máquina governista. A genealogia política, porém, mostra o contrário. Neto de Marcelo Miranda, ex-governador e ex-senador por Mato Grosso do Sul, ele não é outsider nem fruto da indignação popular, mas herdeiro — na linguagem moderna, um “Nepo baby” (abreviação de nepotism baby), termo popularizado nos Estados Unidos que Catan tanto venera.
A tentativa de transformar privilégio em “resiliência” é evidente. No documento, Catan sinaliza que usou o movimento de 2013 e o impeachment de 2016, que depuseram a ex-presidente Dilma Rousseff, como marcos de sua transição para “ativista”, omitindo que sua base eleitoral foi pavimentada pelo sobrenome e influência familiar. O “Grito das Ruas” descrito no manifesto soa mais como eco de gabinete financiado do que manifestação popular genuína.
ENGENHARIA DAS MENTIRAS
No manifesto, Catan cita denúncias contra estatais do governo sul-mato-grossense, embora várias já tenham sido consideradas infundadas ou arquivadas. Sem articulação na ALEMS, o deputado não conseguiu emplacar ações com impacto positivo na vida de seus eleitores.O manifesto dedica atenção à atuação de Catan contra a Cassems, chamando-a de vitória histórica. A realidade: o Tribunal de Contas (TCE-MS) auditou os recursos repassados, mas o deputado sofreu reveses judiciais. A Justiça Estadual rejeitou suas ações por falta de legitimidade ou ausência de provas.
O “combate à corrupção” na prática se torna espetáculo jurídico, consumindo tempo do parlamento e do Judiciário sem gerar resultados concretos. O uso do número R$ 500 milhões no discurso de Catan é exemplo de ruído semiótico: ele sugere desvio generalizado ao falar de repasses anuais destinados à saúde dos servidores, mas não consegue fundamentar corretamente qualquer pedido de investigação.
ADMIRADOR DE MEIN KAMPF
Depois de se aproximar do bolsonarismo, Catan protagonizou diversos episódios que pouco contribuem para o cidadão. Um dos atos mais severos de sua falta de agenda popular ocorreu em março de 2023, quando exibiu Mein Kampf no plenário da ALEMS, alegando inspiração na reconstrução do Parlamento alemão após o incêndio nazista.
No “manifesto”, Catan tentou minimizar o episódio como “erro de comunicação”. A ação foi historicamente absurda e flertou com apologia ao nazismo.
Para o novo quadro político do NOVO, que busca selo de “compliance”, o gesto é um fantasma que nenhum PDF consegue apagar. Assista:
PARADOXO DO LIBERALISMO
Catan prega “Livre Mercado”, “fim de privilégios” e “Redução do Estado”. Na prática, gasta até R$ 100 mil por mês com Bold Marketing Produções Audiovisuais LTDA, cujos sócios são amigos de infância do parlamentar, Bruno Daros Alves e Fernando Daros Alves.
Ele acusa adversários de usar verba pública para autopromoção, enquanto mantém uma estrutura similar para sua própria manutenção de base eleitoral.
CAMPANHA DE 2026
Deputado João Henrique Catan surge nas redes com PDF repleto de informações falsas; ao que tudo indica, a estratégia até a eleição ao governo de Mato Grosso do Sul, em outubro de 2026, será apostar na disseminação de fake news. Crédito da arte: MS Notícias.Catan trocou o PL pelo NOVO em 8 de março, não por ideologia, mas por cálculo eleitoral: no NOVO, ele é o “rosto da renovação”. Sua estratégia baseia-se em:
Educação política doutrinária: formar eleitores na liberdade econômica antes do pleito.
- Micro-targeting: usar análise de dados para mensagens customizadas.
- Pauta do medo no campo: apropriação do agro como escudo ideológico e vigilância do MST via PL 100/2025 (“Abril Verde e Amarelo”).
Para Catan, política é guerra de algoritmos e SEO, não debate de projeto pelo povo.
HISTÓRICO DE DESSERVIÇO
O manifesto celebra “resiliência” e “coragem de construir o futuro”. A realidade é um sequestro do debate público: a CPI da Pesquisa Fake de 2023 e a espetacularização de denúncias mostram uma máquina de marketing funcionando para gerar engajamento, não resultados.
João Henrique Catan não é o “novo” que Mato Grosso do Sul espera. O manifesto “O Novo Caminho para MS” é ficção política: links que não funcionam, promessas de compliance que ignoram gastos e episódios extremistas. Por trás da retórica liberal e da imagem tecnológica, está um político que utiliza dinheiro público para autopromoção, distorce vitórias administrativas e cria espetáculo com símbolos do ódio.
O site inexistente novo.org.br/ms resume o cenário: quem promete futuro, mas não entrega uma página na web, dificilmente entregará um estado melhor aos cidadãos.











