04 de fevereiro de 2026
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EXTREMA DIREITA

Pedófilo Jeffrey Epstein e Steve Bannon trocaram e-mails pró-Bolsonaro

Conversas escancaram jogo de cena habitual da família Bolsonaro com a imprensa e o eleitorado

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Novos documentos revelam a admiração do criminoso sexual pelo ex-capitão e expõem a "cozinha" da extrema-direita global.

A narrativa de "Deus, Pátria e Família" acaba de ganhar um capítulo sombrio vindo diretamente dos arquivos de Jeffrey Epstein.

O financista, morto na prisão e condenado por tráfico sexual de menores, via em Jair Bolsonaro um trunfo político "massivo".

A revelação consta em uma troca de e-mails entre Epstein e Steve Bannon, o guru da extrema-direita internacional.

As mensagens, obtidas pela BBC, datam de outubro de 2018, às vésperas da eleição que levou o clã Bolsonaro ao poder.

Para o predador sexual Epstein, Bolsonaro era o homem que "mudou o jogo" ao ignorar pressões internacionais e refugiados.

"Bruxelas não lhe diz o que fazer", celebrou Epstein, demonstrando entusiasmo com a agenda isolacionista do brasileiro.

O diálogo expõe como a imagem do ex-presidente foi moldada e discutida no submundo da política norte-americana.

BANNON E O "REINO NO INFERNO"

Steve Bannon, ex-estrategista de Donald Trump, confidencia a Epstein sua proximidade com o núcleo duro do bolsonarismo.

"Eles me querem como conselheiro. Devo fazê-lo?", pergunta Bannon, buscando a validação do criminoso sexual.

A resposta de Epstein é perturbadora e sintonizada com o caos político que se seguiria: "É o argumento 'reino no inferno' outra vez".

O e-mail sugere que a associação com Bolsonaro seria benéfica para a "marca" de Bannon, caso a vitória se confirmasse.

Epstein chega a incentivar uma viagem de Bannon ao Brasil para capitalizar sobre a popularidade do então candidato.

HIPOCRISIA E JOGO DUPLO DOS BOLSONAROS

Os e-mails também escancaram o jogo de cena habitual da família Bolsonaro com a imprensa e o eleitorado.

Na época, Eduardo Bolsonaro cortejava Bannon abertamente, oferecendo espaço para o americano atuar na campanha.

Porém, publicamente, Jair Bolsonaro classificava qualquer ligação com Bannon como "fake news".

Nos bastidores, Bannon admitiu a Epstein que precisava manter sua influência sobre Jair "nas sombras".

"Tenho de manter esta coisa do Jair nos bastidores", escreveu o estrategista, ciente da toxicidade de sua imagem.

A declaração derruba a tese de distanciamento pregada pelo ex-presidente brasileiro na época.

ALERTA SOBRE LULA

A troca de mensagens não ignora o espectro oposto e cita o atual presidente, Lula.

Epstein orienta Bannon a ter cautela ao falar de Bolsonaro com o intelectual Noam Chomsky.

O motivo seria a amizade de Chomsky com Lula, a quem o linguista visitou na prisão em Curitiba.

Para Chomsky, Lula era o "prisioneiro político mais importante do mundo", visão que incomodava o círculo de Epstein.