02 de dezembro de 2020
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Puccinelli prepara terreno para Simone e Nelsinho entra na reta decisiva

A vice-governadora Simone Tebet (PMDB) assumiu de vez a condição de pré-candidata a senadora ou a governadora. Se além dela e do mais íntimo círculo afetivo ninguém sabe de fato qual a real intenção de seu afastamento da Secretaria de Governo, não é difícil imaginar um arco de três destinos políticos possíveis já alinhavados por ela: disputar o Senado, concorrer à sucessão estadual ou aquietar-se na função de vice-governadora. Neste último caso, vigora a hipótese de assumir a titularidade do cargo por seis ou mais meses se o governador André Puccinelli entrar na corrida rumo ao Senado.

Acredita-se que não faz parte dos planos de Simone disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados ou retornar à Assembleia Legislativa. Seu peso político e eleitoral é por demais precioso para um PMDB que, depois de perder a Prefeitura de Campo Grande, já começando a angustiar-se com o futuro imprevisível sem a caneta do poder nas mãos de Puccinelli e, pior, diante da possibilidade concreta de ver um petista, o senador Delcídio Amaral, ser entronizado no comando político-administrativo de Mato Grosso do Sul.

Não é o acaso, portanto, que faz Simone Tebet pensar muito e mais um pouco para recusar-se ao que poderá configurar aventura eleitoral e política se aceitar a tese de que é mais competitiva que o ex-prefeito Nelson Trad Filho para disputar a sucessão de Puccinelli. O cenário provavelmente mais adequado aos planos hegemônicos do PMDB seria uma chapa com Simone ao Governo e Puccinelli ao Senado, abrindo ao presidente da Assembleia Legislativa, o deputado estadual Jerson Domingos, a chance de governar o Estado por seis meses.

Além de conservar em cena um governador que se gaba de seu apetite animalesco por resultados, os peemedebistas teriam com essa fórmula outros itens favoráveis, como a garantia da unidade partidária e o engajamento de forças muito importantes. Uma delas, por exemplo, na influente família de Jerson Domingos, que se havia distanciado do PMDB. A ex-vereadora e filantropa Tereza Name, a irmã do presidente da Assembleia, é pré-candidata a deputada estadual e vai assumir o considerável patrimônio eleitoral que Jerson e os Name construíram em cinco mandatos consecutivos.

Outro fator que ajudaria enormemente na competitividade do PMDB, e depende da habilidade política de um e da grandeza de outro, seria contar com o envolvimento absoluto e definitivo de Nelsinho Trad como co-executor desta solução. O ex-prefeito quer ser o candidato a governador, mas se fizer uma sincera e contundente autocrítica concluirá que sua pré-candidatura não conseguiu empolgar as bases, não unificou o partido e seu nome não tem densidade eleitoral e geopolítica comparável à de Simone. Porém, é um dos principais eleitores de Campo Grande, onde mantém o prestígio que acumulou em oito anos de prefeito com as mais altas avaliações positivas. Assim, a balança do PMDB teria dois pesos muito fortes no mapa eleitoral sul-mato-grossense, com os apelos regionais de Simone no Bolsão e Nelsinho na Grande Campo Grande.

É necessário frisar que esta abordagem considera especificamente um cenário de confronto entre PMDB e PT. Fora disso, é esperar para ver o que acontecerá.

Edson Moraes, especial para o MS Notícias