A Polícia Federal (PF) divulgou projeções digitais que simulam a aparência atual da mulher considerada a maior narcotraficante do Brasil.
Karine de Oliveira Campos, de 47 anos, carrega a alcunha de 'Pablo Escobar de saia'.
Foragida da Justiça, ela construiu um império criminoso com raízes profundas em Mato Grosso do Sul, onde viveu grande parte de sua juventude e início da vida adulta.
As investigações apontam que Karine lidera uma organização com patrimônio estimado em mais de R$ 1 bilhão.
Ao lado do marido, Marcelo Mendes Ferreira, ela comanda uma estrutura logística internacional de envio de cocaína, operando de forma independente e, por vezes, em parceria com facções como o PCC.
FUGA CINEMATOGRÁFICA
A trajetória de Karine começou cedo em Corumbá, a Oeste de MS, na fronteira com a Bolívia. Aos 20 anos, ela já atuava no transporte de crack para o Nordeste.
Porém, foi em Campo Grande — capital de MS — que ocorreu o episódio que marcou sua entrada definitiva na clandestinidade.
Em fevereiro de 2019, durante a Operação Alba Vírus, agentes federais bateram à porta de sua mansão no bairro nobre Carandá Bosque.
Karine conseguiu enganar a equipe policial. Ela se passou pela própria mãe, aproveitando-se da semelhança física e da confusão do momento, e saiu pela porta da frente antes que o erro fosse notado. Desde então, nunca mais foi detida.
PODER ECONÔMICO
O poder da organização não reside apenas na violência, mas no dinheiro. O dossiê da PF indica que o grupo movimenta cifras astronômicas para subornar autoridades e comprar decisões judiciais.
Há indícios de que a quadrilha teria pago cerca de US$ 5 milhões (dólares) para viabilizar a soltura do traficante André do Rap, em 2020, num caso que gerou escândalo jurídico no país.
Outra investigação aponta o pagamento de R$ 3,5 milhões em propina a magistrados de Brasília para libertar Leonardo Costa Nobre.
A influência se estende aos portos. A quadrilha é suspeita de presentear funcionários portuários com relógios de luxo para garantir que contêineres carregados de drogas passem pela fiscalização sem problemas.
PARADEIRO E LOGÍSTICA
Mesmo com a líder foragida, a máquina do tráfico não parou. Entre 2019 e 2022, as autoridades apreenderam mais de 16 toneladas de cocaína vinculadas ao grupo de Karine.
A organização mantinha infraestrutura robusta em Mato Grosso do Sul para lavar dinheiro e apoiar a logística.
Foram identificados bens registrados em nome de laranjas e familiares, incluindo uma transportadora no bairro Coopharádio, em Campo Grande, e uma fazenda localizada na rodovia MS-040.
O trabalho de inteligência da Polícia Federal sugere que o casal não está mais no Brasil.
A principal linha de investigação aponta que Karine e Marcelo estariam escondidos em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, de onde continuariam a gerenciar o envio de drogas para a Europa e a movimentar sua fortuna bilionária.











