25 de maio de 2024
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NACIONAL | PARANÁ

Polícia diz que bolsonarista não matou petista por 'motivação política'

Responderá por homicídio qualificado com motivo torpe

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A Polícia Civil do Paraná indiciou o policial penal bolsonarista Jorge José da Rocha Guaranho por homicídio duplamente qualificado. Ele invadiu a festa de aniversário e matou o Guarda Municipal petista, Marcelo Aloizio de Arruda às 23h50 do sábado (11.jul.22), em Foz do Iguaçu, no Paraná.

Os qualificadores são por motivo torpe e por causar perigo a outras pessoas que estavam no salão da Associação Recreativa Esportiva Segurança Física Itaipu (ARESFI), o qual o assassino membro. Arruda foi socorrido logo após o ataque, mas morreu no hospital, na madrugada do domingo (10.jul).

Na quinta-feira (14.jul.2022) em inquérito policial, a delegada Camila Cecconello, chefe da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Foz do Iguaçu, descartou motivação política no caso.

A delegada sustentou que o assassinato de Arruda, durante sua festa de aniversário de 50 anos, com tema do Lula (PT), não foi motivado por 'política', apesar de o bolsonarista assassino, ter iniciado a discussão justamente devido ao tema da festa ser 'contrário' ao seu afeiçoado político, o presidente Jair Bolsonaro (PL). 

Cecconello explicou que o assassino tomou conhecimento da festa de Arruda, durante um churrasco em que participava. Conforme a delegada, testemunhas afirmaram que uma pessoa que estava no mesmo churrasco que Guaranho tinha acesso às câmeras de segurança da ARESF e mostrou para o assassino. Para a delegada, a pessoa que tinha acesso às câmeras “não mostrou [as imagens] por maldade”. Disse que a testemunha, dona do celular, está abalada, pois, não imaginava que, ao tomar conhecimento, Guaranho fosse fazer o que fez. 

Ainda de acordo com a delegada, testemunhas relataram que no momento que viu as imagens de segurannça, Guranho nada comentou sobre a festa e que ele permaneceu por mais de 1 hora no churrasco. A essa altura, o bolsonarista assassino já estava bêbado e dirigiu até a Aresf e começou a provocar o aniversariante, colocando em volume alto no seu carro uma música em apoio ao ao presidente Jair Bolsonaro. Neste momento, começou a discussão entre o assassino bolsonarista e a vítima.

Após um bate-boca, o agente penal, então, foi embora e, posteriormente retornou no local. Segundo a investigação, neste momento, Arruda com a arma em punho avisou ao agente penal que era policial e pediu para Guaranho ir embora, porém, o agente penal ignorou a súplica de Arruda e iniciou os disparos contra Arruda, invadindo o local. Somente após ser atingido que Arruda revidou, para neutralizar o assassino.  

Cecconello disse que foi preciso descartar a 'motivação política', pois, para enquadrar o assassinato como crime político é preciso determinados requisitos, como impedir o dificultar as pessoas de exercerem seus direitos políticos. “É complicado dizer que o autor queria impedir de exercer os direitos políticos da vítima”, defendeu a delegada paranaense. “A gente avalia que, quando ele chegou ao local, ele não tinha a intenção de fazer disparos, tinha a intenção de provocar. A escalada da discussão acabou fazendo com que o autor voltasse e praticasse o homicídio. Parece mais uma coisa que acabou virando pessoal entre duas pessoas que discutiram por motivação política", sustentou, ignorando os indícios claros de crime por ódio a opção política. No revés, a delegada se contradiz: “Fica claro que houve provocação e discussão em razão das opiniões políticas”, afirmou, na sequência, Cecconello.

Para a delegada, Jorge Guaranho, em um surto de raiva, queria "acertar as contas com Marcelo Arruda", pois, de acordo com o relato de tesemunhas, quando o agente penal retornou ao local ele disse à esposa de Arruda que a questão dele era com o guarda municipal e não com as outras pessoas presentes na festa. 

Por fim, a delegada reforçou que Marcelo Arruda agiu em legítima defesa. 

Em nota, o Ministério Público do Paraná (MP-PR) disse que, a partir do recebimento do inquérito policial concluído, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) analisará o processo e trabalhará no oferecimento da denúncia. O prazo é de 5 dias. “O caso vem sendo acompanhado pelo Gaeco desde o último domingo (10), por designação da Procuradoria-Geral de Justiça” ,  esclareceu o MPPR. 

A delegada descartou também que Arruda e Guaranho já se conheciam, com base nos depoimentos de testemunhas. De acordo com a investigações, o policial penal fez 4 disparos, e pelo menos 2 atingiram Arruda. A vítima fez 10 disparos, e pelo menos 4 atingiram o policial.