16 de abril de 2021
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JARDIM DAS NAÇÕES

Querido por todos, Camelo arrumava de tudo e morreu eletrocutado em freezer

Considerado um "professor bugiganga", o comerciante de 60 anos guardava de tudo. Ele morreu ao ser eletrocutado em um freezer no bar, conveniência e borracharia que mantinha no Bairro Jardim das Nações, em Campo Grande

“Querido por todos”, assim resumiu a filha, Mariana Pereira Camelo, de 31 anos, ao falar sobre o pai, José Matos Camelo, de 60 anos, encontrado morto na manhã desta 6ª-feira (29.jan.21) na conveniência, borracharia e bar que mantinha no Jardim das Nações, em Campo Grande. 

Segundo a filha, o pai era conhecido pelo sobrenome, que lhe servia como apelido: “Camelo”. Ele foi encontrado por um cliente, que ao ir por volta das 10h30 ao local, como costumeiramente vai, notou que o estabelecimento estava fechado. “O rapaz que mora ali na esquina...ele vem aqui sempre esse horário comprar coca, quando viu tudo fechado, olhou pelo vidro e viu meu pai caído lá dentro”, explicou a filha, que é cozinheira trabalhando fora, assim como a mãe dela, esposa de Camelo.

 “Só meu irmão estava em casa, estava dormindo...Meu pai mexeu nesse freezer ontem, aí pifou, ele acordou para mexer de novo, porque coloca bebida aqui para vender...Meu Deus, não dá para entender isso”, disse a filha.

O irmão de Mariana, Wesley Pereira Camelo, de 24 anos, foi quem acionou a polícia após ser acordado pelo vizinho. Segundo o registro de ocorrência, o jovem disse que tirou o freezer do interruptor, mas notou que o pai possuía coloração arroxeada e estava desacordo. O jovem então acionou o socorro, que ao chegar ao local confirmou sinais de eletrocussão, na axila, no peitoral esquerdo, e braço esquerdo, mas registrou que o caso será investigado. 

Mariana Camelo Pereira, cozinheira de 31 anos Mariana Camelo Pereira, cozinheira de 31 anos. Foto: Tero Queiroz | MS Notícias 

A filha de Camelo contou como foi o momento em que foi avisada sobre o ocorrido. “Eu fiquei sem chão, praticamente desmaiei...deixei tudo lá e vim para cá correndo”, lembrou.

Com uma pequena toalha nas mãos, a qual usava para secar as lágrimas que não paravam de cair, ainda sob efeito do soluço e completamente emocionada, Mariana levou a reportagem ao interior do estabelecimento e apontou o local exato onde o pai estava caído. “Eu cheguei correndo, já tinham 2 Bombeiros, uma ali na porta e um aqui, eu vi ele caído, tudo não parecia ser real, embaçou tudo... um terror isso aqui, ele estava assim duro (mostrou com sinal), cena terrível essa”, detalhou. 

Mariana usava a toalha para secar as lágrimas Mariana usava a toalha para secar as lágrimas. Foto: Tero Queiroz | MS Notícias 

Cercada por vizinhas que demonstravam apoio, Mariana atendia em vários momentos telefonemas e respondia mensagens de pessoas que souberam do fato, enquanto isso, o repórter do MS Notícias observou que no local haviam muitas coisas, de todos os tipos. Ferramentas, compressores de ar caseiros, bicicletas, arcos, aros, ventiladores, hélices, bebidas, e alguns itens de cesta-básica. Haviam ainda outros freezers menores, todos trancados com vários cadeados. “(sic) Ele mexia com uma conveniência aqui, vendia de tudo, nesses freezers tem coisas ainda, tá trancado porque as pessoas entravam e saiam. Ele também consertava bicicletas, moto, ventiladores. Ele estava aqui há 15 anos, nos criou praticamente, e cuida da minha avó, que tem Alzheimer aqui, tem 80 anos...”, explicou a filha. 

Casa onde ficava a conveniência, na Rua Zita Rosa Chaco, no loteamento Alto da Boa Vista, Região do Jardim das Naçãoes, em Campo Grande Casa onde ficava a conveniência, na Rua Zita Rosa Chaco, no loteamento Alto da Boa Vista, Região do Jardim das Naçãoes, em Campo Grande . Foto: Tero Queiroz | MS Notícias 

Segundo a filha, "Camelo" foi um bom pai. “Ele tem eu e o caçula [Wesley]. Eu e minha mãe estávamos trabalhando na hora. Meu pai é o melhor pai, todo mundo gosta dele aqui...ele é muito conhecido, por isso já foi até candidato”, ao lembrar disso Mariana pelo um único momento sorriu, demonstrando guardar o orgulho do pai. Camelo concorreu ao cargo de vereador em Campo Grande, nas eleições de 2004. “Pessoal vivia me zoando na escola, porque ele saiu só com o sobrenome né”, recordou. Ele não saiu vitorioso do pleito, depois disso não se envolveu mais com política.  

Conforme a filha, o pai era considerado um “professor bugiganga”, pois guardava de tudo e as pessoas vinham de longe buscar. “Arrumava de tudo, rádio, pessoas vinham buscar hélices aqui... eu nem consigo imaginar o que vamos fazer”, lamentou Mariana. A relação feita pela filha referencia o desenho animado "inspetor bugiganga", que narra a vida de um inspetor de polícia que sofreu um acidente e foi transformado em uma espécie de robô. Ele guarda mil e uma bugigangas diferentes em seu corpo e pode acioná-las em suas aventuras.

A Polícia e Perícia esteve no local e realizaram o procedimento de praxe, o caso foi registrado como morte a esclarecer na Delegacia do Centro Especializado de Polícia Integrada, no Tiradentes.  

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