28 de outubro de 2020
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Belfort troca lado "fora de si" por silêncio e se reaproxima de Dana White

Nocaute arrasador sobre adversário que jamais havia beijado a lona, cinco vitórias nas últimas seis lutas e posto de segundo ranking na categoria dos médios do UFC. Mas se surpreendeu quem esperava um Vitor Belfort falastrão e fazendo uso de lobby e pedidos depois da vitória sobre Dan Henderson no UFC Goiânia.

O carioca de 36 anos adotou discurso polido e moderado, bem diferente dos das outras recentes vitórias arrasadoras sobre Michael Bisping e Luke Rockhold, por exemplo. Naquelas oportunidades, fez desafios ao falastrão Chael Sonnen, pediu revanche com Jon Jones nos meio-pesados e se colocou como o principal desafiante ao cinturão dos médios.

Mesmo depois disso e sem nem entrar no octógono Vitor usou das palavras na tentativa de conseguir subir degraus na organização americana. Minutos depois que Chris Weidman derrotou Anderson Silva, lançou desafio ao americano no Twitter e pediu uma luta pelo título.

O presidente do UFC, Dana White, chegou a reclamar publicamente do comportamento de seu funcionário. Contou que recebeu 170 mensagens com pedido de luta por título e declarou que Vitor estava "fora de si".

No sábado, no entanto, tudo foi diferente. Dana havia afirmado dias antes que se Belfort vencesse Dan Henderson teria a chance de disputar o título. Enfim saíram de suas bocas as palavras que o brasileiro tanto queria ouvir. Mas, depois da luta, tudo mudou e o brasileiro se comportou.

Como de costume em algumas oportunidades, Dana White recuou no que afirmara e não cravou Belfort como desafiante número 1. Disse que tudo pode acontecer e se limitou a prometer "grandes duelos" ao lutador que estava ao seu lado na entrevista coletiva.

O brasileiro ouviu calmamente e praticamente bateu continências, sem contestar o que havia sido prometido ou tentar ganhar no grito. "Aguardo o vencedor de Anderson Silva e Chris Weidman, mas é o Dana que tem que decidir. Minha fase é boa e estou pronto para a próxima luta."

Os dois mostraram uma proximidade não tão habitual em Goiânia. Vitor sempre teve bom transito com os irmãos Fetitta, outros acionistas do UFC, mas teve momentos de atrito e discordância com White. Após a luta, trocaram sorrisos, se abraçaram e reverenciaram um ao outro.

"O UFC só se transformou no que é hoje porque existe um cara como o Dana . Me lembro quando antes, no começo, ele ficava com contratos pedindo pros lutadores assinar. Todo mundo fechava as portas pra ele. Mas investiu, acreditou e está levando o evento pra todos os lugares da terra. Antes ele não tinha nada. Pra mim é gratificante demais", falou Belfort

Dana foi questionado sobre as antigas rusgas. E disse que nada existe além de um respeito imenso pelo brasileiro como pessoa e lutador.  "Eu respeito o Vitor. Respeito pessoas como ele, pelo lutador que se tornou. Ele estava correndo no octógono durante a luta. Esse novo Vitor Belfort está demais", declarou.

Fato é que para realizar o desejo de voltar a disputar o cinturão dos médios Vitor terá que aguardar alguns meses e a decisão dos cartolas do UFC após o embate entre Anderson Silva e Chris Weidman, no dia 28 de dezembro.

A chance de Belfort não fazer uma disputa de cinturão pode não ocorrer em caso de um novo embate entre Spider e Weidman para um tira-teima caso o brasileiro vença a revanche. Um apelo popular para um terceiro embate pode ser o suficiente para a organização optar por ele.

O duelo entre Lyoto Machida e Gegard Mousasi, em fevereiro de 2014, parece também despertar a atenção do mandatário do evento, que pode até casar o vencedor do duelo com Belfort.

(Agência UOL)