01 de outubro de 2020
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QUEIMADAS

A fumaça 'roubou' o pôr-do-sol da Capital de MS; entenda

Biomas devastados pelas chamas, má qualidade do ar, e outros grandes problemas provocados pelas queimadas

Na Capital de Mato Grosso do Sul, Campo Grande, o Sol já desaparece em meio a fumaça. O pôr-do-sol considerado um dos mais lindos do país já não pode ser apreciado, pois em determinado período do dia, o astro tem seus raios ofuscados pela fumaça.  

O chefe do programa Queimadas do Inpe, Alberto Setzer, explicou que a fumaça está em uma altitude de 2 mil metros acima da Capital, o que segundo ele, causa o que chamam de 'efeito pôr-do-sol'.“Vai ter efeito no pôr-do-sol, as pessoas vão ver um sol mais alaranjado, até vermelho, a depender da quantidade”, esclareceu.  

A quantidade de queimadas no país, aumentam o volume de fumaça no ar e faz com que os ventos levem mais tempo para dissipá-la. 

Vista do pôr-do-sol na Capital, prejudicada pelo fogo. Foto: Tero Queiroz | MS Notícias

Ao redor de Campo Grande as queimadas devastam quilômetros de áreas rurais. O MS Notícias esteve neste sábado aos redores do Polo Industrial da Capital, as imagens feitas pelo repórter fotográfico revelam a destruição causada pelo fogo.  

Destruição em área rural na estrada da Pedreira, sentido Polo Industrial, arredores de Campo Grande. Foto: Tero Queiroz | MS Notícias 
A casa teve parte da estrutura comprometida ao ser atingida pelas chamas. O repórter não encontrou moradores no local, por isso não pôde entrar para ver mais de perto. Foto: Tero Queiroz | MS Notícias

AÇÕES DO GOVERNO

Área em Alcinópolis, no interior de Mato Grosso do Sul. Brigadista luta para tentar conter o avanço das chamas. Foto: Divulgação 

Neste fim de semana o Governo de MS diz ter reunido esforços para atuar em três grandes focos localizados no Pantanal, na região de Alcinópolis e de Três Lagoas.

Ontem (12.set.2020), segundo a administração, foi montada uma força-tarefa para atuar no fogo que atinge o Parque Estadual das Nascentes do Rio Taquari e propriedades rurais dos municípios de Alcinópolis e Costa Rica. Até a noite de sexta-feira (11.set.2020), um total de 8.875 hectares já haviam sido queimados pelas chamas, sendo 4,5 mil hectares dentro do Parque e pouco mais de 4 mil hectares em propriedades rurais próximas.

A força-tarefa é integrada pela Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), o Imasul, Corpo de Bombeiros Militar, Defesa Civil, além do apoio do ICMBio, as prefeituras municipais de Alcinópolis e Costa Rica e das indústrias do setor de bioenergia instaladas na região.

No Pantanal as ações da Operação Pantanal II continuam. Neste fim de semana o problema da fumaça que atinge os municípios de Corumbá e Ladário se agravou. “São três focos grandes de incêndio que atingem o Estado e que estamos tentando combater, com apoio da ministra Tereza Cristina (Agricultura e Pecuária), o ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) e o ministro Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional)”, disse o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar de MS, Jaime Verruck.  

O ministro Ricardo Salles, através do ICMBio também confirmou outras duas aeronaves que chegam hoje (13.set.2020) ao município de Alcinópolis. “Teremos uma estrutura forte a partir de hoje no município para controlar a situação e a partir de amanhã os municípios mais afetados pelas queimadas serão avaliados e vamos ampliar o estado de calamidade de incêndios florestais para outros municípios, como Alcinópolis”, destacou. 

O secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Alexandre Lucas Alves chega ao Mato Grosso do Sul neste domingo para discutir a necessidade de decreto de emergência em vários municípios, para que o Estado possa receber recursos do Ministério que serão utilizados na locação de aviões, equipamentos e combustíveis.

OUTROS CASOS 

Céu fica escuro na cidade de São Paulo durante a tarde de 19 de agosto. Na foto, vista da Marginal Pinheiros, na zona oeste da capital paulista. Foto: Nilton Fukuda/Estadão Conteúdo (19.ago.2019) 

Em 2019, o dia virou noite no 19 de agosto em São Paulo, em parte pela chegada da fumaça das queimadas. Setzer explicou que o fenômeno foi basicamente causado por nuvens carregadas muito baixas que esconderam a luz do Sol, mas a fumaça das queimadas colaborou com a escuridão.

Já na região Norte, períodos dominados pela fumaça são comuns neste época do ano. Nos últimos dias, Manaus (AM) tem amanhecido sob uma cortina de fumaça, causada em grande parte pelas queimadas intensas no Pará que, com as correntes de vento, é levada até a capital amazonense.

Apesar do investimento do governo federal em enviar tropas para a Amazônia para tentar conter as queimadas este ano, os números mostram que os militares até agora não tiveram sucesso.

Dados do Inpe coletados até a 5ª-feira, apontam um aumento de 7% em relação ao mesmo período do ano passado. Um crescimento pequeno, se não fosse o fato de 2019 ter tido o maior número de focos de queimadas detectados pelo Inpe desde 2012, com 108,9 mil pontos até 10 de setembro. Este ano, no mesmo período, são 116,9 mil.


Fumaça sobe durante incêndio em uma área da floresta amazônica perto do município de Humaita, Amazonas, em 17 de agosto de 2019. Foto: Ueslei Marcelino / Reuters

O Inpe mostra ainda que apenas na Amazônia Legal — que vai além do Bioma Amazônia — , onde se concentram as forças da missão de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) para combater as queimadas, o aumento foi de 9% em relação a 2019. Já o Pantanal, que enfrenta a pior queimada desde 2007, os focos de incêndio cresceram 182% em relação ao ano passado.

“Estamos com números muito parecidos com 2019 na Amazônia, mas temos que lembrar que ano passado não foi nenhuma maravilha. E este ano, outros biomas, como o Pantanal, estão em situação muito difícil”, finalizou Setzer.