05 de agosto de 2021

Polícia

Antes de mandar prints para policial, mulher de corretor se passou por ele ao conversar com suposta

Defesa alega que mulher estava falando com o pai quando celular da vítima começou a apitar com mensagens. Ela então ligou para suspeito, dizendo: "você está sendo traído".

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A defesa do policial militar ambiental Lúcio Roberto Queiroz Silva, de 36 anos, que matou a tiros o corretor de imóveis, Fernando Enrique Freitas, de 31 anos, disse que a mulher da vítima se passou por ele ao conversar com a suposta amante, que seria a esposa do policial, Regianni Araujo, de 32, também assassinada a tiros no dia 5 de outubro deste ano, em Paranaíba, a 398 km de Campo Grande.

"A companheira do falecido, além de ligar, também enviou prints de mensagens para o meu cliente. O marido dela chegou em casa e deitou no sofá. Ele logo dormiu e ela pegou o celular dele para falar com o pai dela e, de fato, essa ligação existe. Só que logo o celular começou a apitar e ela se passou pelo corretor, momento em que ia dando corda, printando as mensagens e mandando para o celular dela. Enquanto ele dormia, ela também olhou o arquivo e achou várias fotos comprometedoras do marido e da mulher", afirmou ao G1 o advogado José Roberto da Rosa.

Em certo momento, de acordo com o advogado, o marido se mexeu e ela achou que ele estivesse acordando. "Ele continuou dormindo e a mulher mandou tudo para o policial por WhatsApp, dizendo: você está sendo traído! Meu cliente ficou transtornado e antes dele chegar na casa do corretor ainda recebeu uma ligação da mulher dele. No depoimento consta que meu cliente então foi até a esposa e disse: você está me traindo, eu te avisei para você não me trair", contou o advogado.

O policial então foi até a casa do corretor e o encontrou ainda deitado no sofá. "Ele foi tirar satisfação e o acordou no sofá, aparentemente bêbado, segundo meu cliente. Ele disse ainda que ambos tiveram uma luta corporal e ele deu um tiro no chão. No entanto, o homem partiu pra cima dele e veio o tiro para ele se defender. Só que estamos esperando o laudo para saber se houve esse tiro no chão mesmo, se o laudo confirma. E depois, ele estava tão transtornado que nem lembra o trajeto que fez para encontrar a esposa", complementou.
PM fugiu e se apresentou 3 dias do crime, em Campo Grande
Lúcio Roberto permanece preso. Segundo o advogado dele, a defesa aguarda a chegada dos laudos e ainda não pediu a revogação da prisão. "Estamos esperando, até pela própria segurança dele. A polícia ouviu novamente os familiares do meu cliente e também pediu a dilação do prazo, por conta dos laudos necroscópicos e uma dúvida sobre a posição de um disparo. Vou deixar seguir o curso e esperar para verificar qual vai ser a roupagem jurídica. Depois de deliberado, pretendo sentar com o meu cliente e verificar qual será a linha de defesa", explicou.

Ainda conforme o delegado, na prisão, o policial passou a ter insônia e delírios. "Era um pai de família exemplar e excepcional policial. No entanto, após o ocorrido, passou a desenvolver um transtorno, só que estamos aguardando laudo, já que ele teve uma consulta com psiquiatra. A intenção é saber se é o caso de um transtorno pós traumático que ele teve com o advento dos homicídios, o que pode trazer sequelas gigantes ou era algo que já tinha ocorrido antes, se estava plenamente capaz. Eu ainda não recebi nada, somente os laudos vão nos posicionar", argumentou.

Entenda o caso
O policial militar ambiental Lúcio Roberto Queiroz Silva cometeu o duplo homicídio após descobrir um suposto relacionamento.

"As informações que temos é que o Lúcio teria recebido prints de conversas que mostrariam esse relacionamento entre o Fernando e a Regianni. Diante delas, ele foi armado até a casa do corretor de imóveis, passou por um grupo de pessoas que estava na calçada, entrou na residência e assassinou Fernando a tiros", informou na ocasião a delegada Eva Maria Cogo.

Ainda segundo a polícia, após assassinar o homem, Lúcio pegou o carro, foi até a casa da família e matou a mulher também a tiros em frente ao próprio pai. "Como a cidade é pequena os crimes foram cometidos com uma distância de tempo muito pequena, por volta das 20 horas deste sábado ele matou o Fernando e minutos depois a mulher", disse Cogo.