22 de outubro de 2020
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Fuga

Após tentativa de fuga, presos fazem motim e ameaçam agentes

Internos de um dos pavilhões da unidade quebraram pelo menos oito celas e entonaram cantos do PCC (Primeiro Comando da Capital)

Pelo menos 10 agentes penitenciários do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira foram ameaçados durante um motim na madrugada desta quinta-feira (14), em Campo Grande. Internos de um dos pavilhões da unidade quebraram pelo menos oito celas e entonaram cantos do PCC (Primeiro Comando da Capital). “Aqui quem manda é o PCC, o crime organizado”.

Conforme o boletim de ocorrência, o motim ocorreu após uma tentativa de fuga. Internos da cela 114, do pavilhão D, quebraram a parede e tentaram escapar, mas foram impedidos pelos agentes penitenciários.

Após conferir todos os presos, os servidores pediram aos suspeitos que mudassem de cela, já que a 114 estava danificada. Neste momento, os internos lideraram uma série de xingamentos e ameaças de morte contra os agentes. “Aqui quem manda é o PCC, o crime organizado. A cadeia é nossa. Vamos matar todo mundo nesse plantão. O brasil é nosso”, gritaram.

Os internos começaram a cantar o hino do PCC (Primeiro Comando da Capital), fazendo com que todos do pavilhão se exaltassem, dando início ao motim. Os presos tentaram arrancar as grades das celas e por segurança os agentes de plantão retornaram à portaria para pedir reforço do Batalhão de Choque da Polícia Militar.

Enquanto esperavam pelos militares, os agentes conseguiram identificar os presos que liberavam o motim. Ainda conforme o registro policial, da cela 110 os internos gritavam o lema do PCC, chutavam as grades e incentivavam as ameaças contra os servidores.

Um dos agentes penitenciários recebeu ainda ameaças diretas dos 11 presos que estavam na cela. “Você já é um cara morto, eu sei onde mora sua família, te sigo desde a máxima. Vamos derrubar essa cadeia e você junto. É tudo nosso 1533, PCC”, teriam dito durante a confusão.

Na cela 111 os internos ameaças especificamente outro agente. Afirmaram que a facção já havia “batido o martelo” e decretado a morte do servidor. Gritaram que ele seria assassinado na estrada da Gameleira e que ninguém conseguiria salvá-lo. “Não tem juiz que vai te salvar, juiz é inseto igual a você”. No local estavam 12 presos.

Dez presos da cela 115 e outros 13 que estavam na 117 também participaram do motim e ameaçaram outros dois agentes e afirmaram que fariam greve nesta sexta-feira (15). “Ninguém vai trabalhar, todos sem trabalhar”. Mais de uma vez, gritaram que quem manda no presídio é o PCC e que iriam “tocar o terror”.

Durante o motim, todos do pavilhão D tentaram envolver os internos do resto do presídio na confusão e ainda incentivaram um “protesto” com familiares em todos as unidades penais de Mato Grosso do Sul, além de ataque a ônibus. “Pois somos uma única família, o PCC. E mandamos nesta Capital”, gritaram.

Outros três internos das celas 107, 116 e 199, também foram identificados como lideranças do motim. Igor Aparecido Jovino Barbosa, Xavier Júnior dos Santos e Luis Henrique Pereira Mariano, foram separados e levados para celas disciplinares, assim como os outros 35 envolvidos e os internos que tentaram fugir. Todas as oito celas ficaram danificadas.

Após o motim, os 10 agentes penitenciários que estavam de plantão procuraram a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Piratininga para registar o caso.