01 de dezembro de 2020
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SIRNAY MORO

Aquidauanenses perdem uma de suas grandes marcas humanas

Fotógrafo era paranaense de nascimento, mas não resistiu aos encantos da natureza e do povo da região

As enchentes pantaneiras; a diversidade humana e cultural de uma civilização erguida na febre migratória que contagiou brancos, índios, negros e povos de diferentes brasis; as histórias e lendas contadas diante da imensidão de seus morros, de seu rio e de suas matas; o encontro e a sucessão de épocas nos traços de diversas escolas de arquitetura – tudo isso foi retratado em cerca de cinco décadas por um olhar que se fundia com as lentes da máquina fotográfica de um repórter forjado pelos tempos que viveu: Sirnay Moro.

Nascido há 59 anos em Santa Terezinha do Itaipu, no Paraná, Sirnay despediu-se da terra vestido de Aquidauana nesta terça-feira, 14, em Coronel Sapucaia, na casa de um irmão. Sofria de Alzheimer e foi golpeado por um mal súbito. Havia alguns anos estava morando em Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai, na casa de uma filha e do genro. Só mudou de cidade para ficar perto da única filha.

De olhar acentuadamente humanista, Sirnay Moro foi um dos mais importantes documentaristas de formas e conteúdos da gente, da natureza e das coisas do Estado aonde viveu quase toda sua existência. Desde 1984, quando fincou raízes no solo de gente aquidauanense e anastaciana, às margens do Rio Aquidauana, experimentava no dia-a-dia a sensação de um amor renovado pelo que fazia sob aquele céu que considerava único.

ALÉM DA FOTOGRAFIA

Sua maior paixão -, do estúdio e laboratório fotográfico Moro, que é um dos símbolos pétreos da construção urbanística de Aquidauana, Sirnay formou-se no curso de Técnico em Transação Imobiliária. Trabalhou no jornal “O Pantaneiro”, de José de Lima Neto, outra personalidade que faz história na região, e emprestou os seus conhecimentos a instituições privadas e publicas, entre as quais a Prefeitura Municipal.

Qualquer acervo histórico que se preze sobre as composições humanas e materiais do Estado não terá sido completo sem os registros que Sirnay Moro deixou, aos milhares – ou milhões. Está na mesma quadratura profissional e humana de documentaristas como Georges Sayegh, Danton Garro, Raimundo Alves Filho e Roberto Higa, entre outros.