22 de outubro de 2026
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CHACINA DA GRUTA

Entenda a relação de Bolsonaro com Talvane Albuquerque

Janones orientou apoiadores de Lula a pesquisar episódio

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O deputado federal André Janones (Rede-MG) orientou, na 5ª.feira (22.out.26), integrantes do canal Exército do Lula a pesquisar no Google a relação entre Jair Bolsonaro e o ex-deputado Talvane Albuquerque.

A busca “Bolsonaro Talvane Albuquerque” chegou aos assuntos mais comentados do X e resgatou a atuação de Bolsonaro, em 1999, contra a cassação do mandato de Talvane, posteriormente condenado por ordenar quatro assassinatos.

CHACINA DA GRUTA

Em 16 de dezembro de 1998, a deputada Ceci Cunha (PSDB-AL) foi assassinada a tiros em Maceió, junto do marido, Juvenal Cunha, e de outros dois familiares, Iran Carlos Maranhão e Ítala Maranhão.

O crime ocorreu horas depois de Ceci receber o diploma pela reeleição. O caso ficou conhecido como Chacina da Gruta, em referência ao bairro onde os assassinatos aconteceram.

Talvane, primeiro suplente da coligação, assumiu a vaga deixada pela deputada. As investigações apontaram o ex-parlamentar como mandante do crime, cometido para que ele ocupasse a cadeira na Câmara.

Em janeiro de 2012, o Tribunal do Júri da Justiça Federal em Alagoas condenou Talvane a 103 anos e quatro meses de prisão pelos quatro homicídios. Outros quatro acusados também foram condenados.

Em 2021, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reduziu a pena para 92 anos, nove meses e 27 dias, após revisar seu cálculo.

BOLSONARO FOI CONTRA A CASSAÇÃO

Em 7 de abril de 1999, a Câmara dos Deputados votou a cassação de Talvane, então investigado pela chacina. Bolsonaro, deputado federal pelo PPB do Rio de Janeiro, discursou contra a perda do mandato.

Na ocasião, argumentou que a Câmara poderia cometer uma injustiça caso Talvane fosse posteriormente inocentado. “Amanhã qualquer um de nós pode estar no lugar dele”, declarou.

Bolsonaro também questionou se os contatos de Talvane com Maurício Guedes Novais, conhecido como Chapéu de Couro e investigado pelo crime, seriam suficientes para justificar a cassação.

“Mas quem aqui nunca teve contato ou conversou com um marginal?”, perguntou aos parlamentares.

O então deputado afirmou que sua posição não significava defender os crimes atribuídos a Talvane. “Não estou defendendo um marginal nem quero acusar um inocente de absolutamente nada”, disse.

A Câmara aprovou a cassação por 427 votos a favor e 29 contrários. Houve ainda 21 abstenções e um voto em branco. Como a votação foi secreta, não é possível confirmar formalmente como Bolsonaro votou.