19 de outubro de 2026
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CANDIDATO À PRESIDÊNCIA

Conheça a relação de Flávio Bolsonaro com milicianos assassinos

Homenageados por Flávio são assassinos da vereadora Marielle Franco e o candidato defendeu assassino de criança

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O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) homenageou policiais condenados por crimes e destinou emendas e homenagens parlamentares a figuras do alto escalão da milícia carioca. 

Registros da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), investigações policiais e decisões judiciais documentam episódios envolvendo o parlamentar e integrantes de grupos paramilitares.

CASO ANA CLARA

Assassinato de criança está impune. Flávio Bolsonaro garantiu impunidade a PM assasino. Assassinato de criança está impune. Flávio Bolsonaro garantiu impunidade a PM assasino. 

Flávio integrou a defesa do policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado de matar Ana Clara Gomes Machado, de cinco anos, durante uma ação policial em Niterói, em 2 de fevereiro de 2021.

A criança brincava na porta de casa com o irmão quando foi atingida por um disparo de fuzil, segundo a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro.

Em 2024, Flávio assinou um recurso apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para contestar a decisão que determinou que o policial fosse julgado pelo Tribunal do Júri.

O STJ rejeitou o recurso, mantendo a decisão. Delaroli ainda aguarda julgamento e segue impune do assassinato da criança. 

MILICIANOS HOMENAGEADOS POR FLÁVIO

Fabrício Queiroz, Flávio Bolsonaro e o miliciano assassinado Adriano da Nóbrega. Fabrício Queiroz, Flávio Bolsonaro e o miliciano assassinado Adriano da Nóbrega. 

Em 2003, Flávio Bolsonaro concedeu uma moção de louvor ao ex-capitão do Bope Adriano Magalhães da Nóbrega.

Em setembro de 2005, entregou a ele a Medalha Tiradentes, principal honraria da Alerj, dentro do Batalhão Especial Prisional, onde Nóbrega estava preso preventivamente, acusado de matar o guardador de carros Leandro dos Santos Silva.

Expulso da Polícia Militar, Nóbrega foi apontado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como chefe do Escritório do Crime e líder de uma milícia em Rio das Pedras.

A mãe de Nóbrega, Raimunda Veras Magalhães, e a ex-esposa, Danielle Mendonça da Costa, ocuparam cargos comissionados no gabinete de Flávio na Alerj.

Ela teriam devolvido repasses salariais para Flávio, num esquema conhecido como “rachadinha”. Em depoimento ao Ministério Público, em 2020, Flávio admitiu ter feito aulas particulares de tiro com Nóbrega, morto durante uma operação policial na Bahia naquele ano.

MAJOR RONALD

Major ligado a milícia e preso hoje no Rio foi homenageado por Flávio Bolsonaro.Major ligado a milícia e preso hoje no Rio foi homenageado por Flávio Bolsonaro.

Em março de 2004, Flávio aprovou uma moção de congratulações ao então capitão da PM Ronald Paulo Alves Pereira.

A homenagem ocorreu três meses depois de o oficial passar a ser investigado pela Chacina da Via Show, que deixou cinco jovens mortos na Baixada Fluminense, em dezembro de 2003.

Investigações posteriores apontaram Pereira como integrante da liderança do Escritório do Crime, ao lado de Adriano da Nóbrega.

Em março de 2026, o Supremo Tribunal Federal condenou o já major a 56 anos de prisão por planejar o monitoramento e a execução da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

ROBSON CALIXTO, O “PEIXE”

Flávio Bolsonaro ao lado de Robson Calixto Fonseca, conhecido como 'Peixe'.Flávio Bolsonaro ao lado de Robson Calixto Fonseca, conhecido como 'Peixe'.

Em 2023, já no Senado, Flávio destinou R$ 200 mil em emenda parlamentar a um projeto esportivo na Taquara, zona oeste do Rio de Janeiro.

Mensagens obtidas pela Polícia Federal indicaram que o pedido de liberação dos recursos partiu de Robson Calixto Fonseca, o “Peixe”, ex-policial militar e ex-assessor de Domingos Brazão.

Nas conversas, Peixe se referia a Flávio como “nosso Senador”. "Peixe" foi condenado a nove anos de prisão por integrar a organização criminosa armada envolvida no planejamento do assassinato de Marielle Franco.

FABRÍCIO QUEIROZ

Ex-segundo-sargento da Polícia Militar, Fabrício Queiroz trabalhou como assessor e motorista de Flávio na Alerj.

Em 2003, recebeu do então deputado uma moção de louvor por “excepcional comportamento”.

O Ministério Público apontou Queiroz como articulador do recolhimento de salários de servidores comissionados do gabinete, no caso conhecido como “rachadinha”.

Ele também indicou e viabilizou as nomeações da mãe e da ex-esposa de Adriano da Nóbrega na Alerj.

“GÊMEOS DA PM”

Os policiais militares Alan e Alex Rodrigues Oliveira, conhecidos como “gêmeos da PM”, atuaram na segurança pessoal de Flávio durante seus mandatos na Alerj.

A irmã dos dois também ocupou um cargo comissionado na Assembleia.

Em 2018, os policiais foram presos na Operação Quarto Elemento, do Ministério Público e da Polícia Civil, sob acusação de integrar uma milícia envolvida em extorsão de comerciantes e cobrança de propina na Baixada Fluminense.

CONTRA A CPI DAS MILÍCIAS

Levantamento publicado pela revista Piauí identificou que Flávio aprovou homenagens a pelo menos 23 policiais militares e civis réus ou foram condenados por diferentes crimes.

Os registros da Alerj também mostram que, em 2007 e 2008, o então deputado discursou contra a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Milícias.

Na tribuna, Flávio afirmou que “não se pode estigmatizar as milícias” e defendeu que esses grupos eram formados por agentes de segurança que levavam ordem e proteção a comunidades dominadas pelo tráfico.

RELAÇÃO ENTRE BRAZÃO E FLÁVIO BOLSONARO

Flávio Bolsonaro e Domingos Brazão na Alerj.

Domingos Brazão e Flávio Bolsonaro já trabalharam juntos em várias propostas na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Em 2014, Brazão foi relator do projeto de Flávio para estabelecer o programa "Escola Sem Partido" no sistema de ensino fluminense. Naquele ano, ambos trabalharam juntos na Comissão de Constituição e Justiça da casa.

Além das questões de costumes, Flávio Bolsonaro e Domingos Brazão colaboraram na defesa das milícias do Rio de Janeiro. Em 2006, quando Marcelo Freixo criou a CPI das Milícias, apenas os dois se posicionaram contra a investigação.

Ronnie Lessa, que delatou Brazão, morava a cerca de 100 metros da casa do clã Bolsonaro no condomínio Vivendas da Barra. De acordo com o escritor Bruno Paes Manso em seu livro "A República das Milícias", Lessa mantinha contato com o Escritório do Crime e com milicianos de Muzema, ligados ao Capitão Adriano. Manso também menciona a relação de Lessa "com figurões como Rogério de Andrade e Domingos Brazão".

O Capitão Adriano é Adriano da Nóbrega, que liderava o Escritório do Crime e empregou a mãe e a ex-esposa no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj.

Durante as investigações sobre a morte de Marielle Franco, o MP-RJ apreendeu uma agenda com a esposa de Queiroz, Márcia Oliveira de Aguiar. Na agenda guia, que deveria ser usada por Márcia para ajudar a família caso Queiroz fosse detido, há um coronel identificado como amigo de Queiroz e "braço direito do Brazão (sic)", uma possível referência a Domingos Brazão. Na caderneta ainda haviam nomes de pessoas ligados ao clã Bolsonaro e também a Adriano da Nóbrega.

Outra ligação entre Flávio e Brazão, que faziam parte da bancada da "segurança pública" na Alerj, é o ex-assistente de câmera Luciano Silva de Souza. Em 2019, Brazão nomeou Souza para o cargo de subdiretor da TV Alerj, o mais alto na hierarquia do departamento, e ele ficou responsável por gerir um contrato de cerca de R$ 800 mil por mês (quase R$ 10 milhões anuais) com a empresa terceirizada Digilab. Em seu currículo, Souza mencionou sua participação em recentes campanhas eleitorais do PSL, como a de Flávio Bolsonaro para o Senado.