04 de dezembro de 2020
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PESQUISA

Cigarro contrabandeado financia crime no MS com lucro de R$ 352 milhões

MS tem 87% do mercado nas mãos do contrabando

O Brasil perdeu R$ 291,4 bilhões de reais para o mercado ilegal em 2019, segundo levantamento que é feito, desde 2014, pelo Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), a perda dos setores foi de R$ 199,6 bilhões, que somados a uma média do imposto sonegado (R$ 91,8 bilhões) chegam a R$ 291,4 bilhões. A pesquisa foi divulgada hoje (31.março). 

O montante aumenta muito mais do que o Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Enquanto em 2019 o PIB do Brasil teve o avanço de 1,1%, o mercado da ilegalidade se avolumou. A média foi feita com o porcentual de 46%, mas há produtos, como o cigarro, em que o imposto pode chegar a 90%. "Aquele que compra cigarro contrabandeado alimenta organizações criminosas. O dinheiro que o fumante dá pelo cigarro será usado por criminosos contra o próprio fumante. Nós sempre defendemos combater a oferta. Defendemos as operações de vigia", explicou.   

O Ibope fez pesquisa de Inteligência em Mato Grosso do Sul, onde observou que o contrabando continua respondendo pela maior parte dos cigarros consumidos no estado: 87% de todos os cigarros que circulam em MS são contrabandeados do Paraguai. O montante movimentou cerca de R$ 352 milhões apenas em 2019.  O presidente do FNCP, Edson Vismona, disse que quem compra cigarros contrabandeados pode estar financiando organizações criminosas. "Cigarro é o produto mais contrabandeado do Brasil. 87% do mercado está nas mãos do contrabando. Para o fumante encontrar um cigarro legal vai ter que procurar muito em Mato Grosso do Sul", disse Vismona.  

A estimativa da Aliança Latino Americana de Contrabando (ALAC) aponta que, em média, o mercado ilegal corresponda a 2% do PIB dos países latino-americanos. No Brasil esse porcentual está, no mínimo, em 7.85%. “O PIB não cresce em volume expressivo, está estabilizado, mas a ilegalidade está aumentando cada vez mais”, afirmou Edson Vismona, presidente do FNCP.

Para a entidade, esse levantamento anual é muito importante para os setores produtivos, que assim demonstram as perdas bilionárias para o mercado ilegal. “Essa ação atesta que a economia ilegal está crescendo, o prejuízo só aumenta e é importante alertar a sociedade e o poder público sobre a dimensão desse rombo, enfatizando a necessidade das ações coordenadas e permanentes de combate à ilegalidade, seja no mercado físico como digital, que corrói o nosso desenvolvimento e dificulta a atração de investimentos e a geração de empregos”, explicou Vismona.

No caso do setor do tabaco, em 2018 foram R$ 14,4 bilhões em perdas para o crime. A última pesquisa realizada pelo instituto Ibope apontou crescimento no mercado ilegal de cigarro pelo sexto ano consecutivo: dos 57% ilegais, 49% foram contrabandeados (principalmente do Paraguai). Com isso, 63,4 bilhões de cigarros do crime inundaram as cidades brasileiras, – sabe-se que esse produto serve para financiar as milícias e o tráfico de drogas.

Estudo da Oxford Economics apontou que as operações dos fabricantes legítimos de cigarros sustentam 25,9 mil empregos no Brasil. O mercado ilegal de cigarros fez com que a indústria de tabaco deixasse de gerar 27 mil empregos.

Outro exemplo da expressão da ilegalidade é visto no setor de combustíveis, que atingiu o montante de R$ 23 bilhões. Segundo Vismona, esse valor significativo se deu porque o segmento aprimorou os dados. “Eles agregaram, além de perdas com fraudes, também roubos e desvio de combustível nos dutos”, disse o presidente do FNCP.

VEJA O LEVANTAMENTO 

O levantamento do FNCP é feito desde 2014 e tem como base os dados apontados pelos próprios setores produtivos, que têm métricas próprias (pesquisas, avaliação de mercado). Os 15 segmentos contemplados pelo estudo do FNCP são vestuário; óculos; cigarro; TV por assinatura; higiene pessoal, perfumaria e cosméticos; bebidas alcoólicas; combustíveis; audiovisual; defensivos agrícolas; celulares; perfumes importados; material esportivo; brinquedos; software; e eletroeletrônicos (PCs, Servidores, Networking, Impressoras/Toners/Cartuchos de Tinta e Equipamentos de Segurança).

*Matéria teve título alterado às 15h50, para correção de informações.