31 de julho de 2021
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Saúde Pública

Com déficit de mais de 200 trabalhadores, funcionários param atendimento no HRMS

Funcionários pedem concurso público para preencher vagas

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Trabalhadores do HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul) fizeram uma paralisação na manhã desta quinta-feira (21) para chamar a atenção para as condições desgastantes de trabalho. Segundo eles, há um déficit de 192 técnicos de enfermagem e de 40 enfermeiros. A reivindicação é de novo concurso público para a ocupação das vagas.

O presidente do Sintss-MS (Sindicato dos Trabalhadores em Seguridade Social em Mato Grosso do Sul), Ricardo Bueno, explica que a paralisação foi convocada pelos próprios funcionários, por conta da sobrecarga de trabalho no hospital. Os funcionários pararam entre 7h e 8h e devem parar novamente entre 13h30 e 14h30. Segundo o sindicalista, a direção do hospital foi avisada sobre a paralisação.


Bueno explica que ainda em 2017, o Governo publicou um decreto que autorizava a realização de concurso público para a Funsau (Fundação Serviços de Saúde de Mato Grosso do Sul). “O Regional deveria abrir concurso, os profissionais de saúde devem ser concursados, não contratados”. Segundo ele, a questão dos insumos já não é tão preocupante, já que o hospital está sendo reabastecido.

A técnica de enfermagem Mara de Oliveira explica que geralmente a escala, que deveria ter 26 funcionários, tem apenas 14. Com isso, quem sobre é a população. “Às vezes atendemos 10 pacientes, mas devia ser seis. Não temos condição de atender todo mundo, mas às vezes a pessoa está tão necessitada que a gente dá um jeito”, afirma.


Mara até já foi empurrada por um paciente. (Foto: Dândara Genelhú)
Mara diz que muitas vezes, a população não entende o que acontece e os funcionários acabam agredidos verbalmente ou até fisicamente. Ela explica que até já foi empurrada no corredor do hospital. Com isso, trabalhadores acabam pegando atestado médico pelo desgaste psicológico.

Segundo a técnica, às vezes alguns funcionários não querem atender pacientes para não negligenciar. “A gente acaba negligenciando, não tem como cuidar direito [de cada um] com tanta sobrecarga”.