29 de setembro de 2020
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Demora no atendimento e falta de equipamentos tem feito vítimas fatais nas aldeias do Estado

Diana Christie

Indígenas de várias etnias passaram a semana fazendo manifestações pela saída do coordenador da Sesai (Secretaria de Saúde Indígena), Nelson Olazar, e por melhorias nos postos de saúde que atendem as aldeias. A situação do atendimento médico nas aldeias é precário em todo o Estado.

O cacique da Aldeinha em Anastácio, Eneias Campo da Silva, conta que a situação é lamentável. Por ser uma aldeia urbana, os indígenas usam o posto de saúde convencional, mas só podem ser atendidos na sexta-feira. “Um senhor que sofria de diabetes morreu por que não foi atendido na hora que deveria. Ele passou mal e não resistiu até o dia de atendimento”, conta.

Além disso, Eneias reclama que faltam remédios, os banheiros estão danificados, algumas telhas estão quebradas, os agentes de saúde não possuem material para trabalhar e as ambulâncias estão inoperantes. A situação se repete na aldeia Morrinho em Aquidauana. Segundo o cacique Benigni Paulino, faltam medicamentos, as ambulâncias são insuficientes e há problemas de saneamento básico.

“A nossa realidade está a desejar. No papel está muito bonito, mas na realidade não estamos bem de saúde”, afirma a presidente do Conami (Conselho Nacional da Mulher Indígena), Evanisa Mariano da Silva. Ela conta que perdeu uma prima no ano passado e outros dois parentes este ano, pelos problemas de atendimento na aldeia.

Evanisa mora em Campo Grande, mas acompanha a realidade da aldeia Ypege em Aquidauana. Segundo ela, sua prima precisava de acompanhamento médico, mas não foi atendida. Quando finalmente foi encaminhada para a Capital, estava com um câncer em fase final e não resistiu. No mês passado, ela perdeu a cunhada e a tia de seu marido em situações semelhantes. Os postos de saúde locais não estavam equipados e faltavam vagas para atender às indígenas em Campo Grande.

Quando questionada sobre a infraestrutura da aldeia, Evaniza foi enfática: “não temos nada”. Ela aponta que não há aparelhos nem para aferir pressão e também faltam materiais para os agentes de saúde percorrerem as casas. “Tem lugares com casas muito distantes uma das outras e eles não tem nem uma bicicleta para auxiliar o serviço”, conta.