29 de setembro de 2020
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SAÚDE

Doença misteriosa causa primeira morte e deixa MG em alerta

Doença sem identificação matou uma pessoa e outros 8 sentem os mesmos sintomas

Doença misteriosa que assusta a população de Minas Gerais fez sua primeira vítima na noite de ontem (7), os médicos não possuem um diagnóstico. Mas Paschoal Demartini Filho, de 55 anos, que estava internado na Santa Casa de Misericórdia em Juiz de Fora, Minas Gerais, morreu vitimado pela doença, apenas batizada de ‘misteriosa’. As informações são do site Estado de Minas.

O genro da vítima também apresentou sintomas e pode estar com a doença, de acordo com a filha de Paschoal, Camila Demartini, seu marido, Luiz Felippe Teles Ribeiro, de 37 anos, enfrenta os mesmos sintomas. Luiz está internado em Belo Horizonte. 

Os sintomas se iniciam com problemas gastrointestinais (náusea e/ou vomito e/ou dor abdominal). Logo o quadro se agrava à insuficiência renal aguda de evolução rápida (em até 72 horas) somada a alterações neurológicas, como paralisia facial e descendente, borramento visual, amaurose (perda da visão parcial ou totalmente) e alteração de sensório. 

Segundo Camila, os sintomas, em ambos os casos, começaram no fim de semana anterior ao Natal, quando a família se reuniu no dia 22 de dezembro para uma confraternização na piscina do prédio onde o casal mora, no Buritis. “Fizemos um churrasco aqui no prédio. Meu pai e meu marido estavam. Comemos picanha, medalhão, salsichão. Bebemos cerveja. Todos comemos. Mas, na segunda-feira seguinte ao evento, Felipe começou a passar mal. Teve febre, dor no corpo e diarreia. Na quarta-feira, o mesmo ocorreu com o meu pai”, relatou.

Cerca de cinco dias depois, no dia 27 de dezembro, os sintomas aumentaram, Paschoal e genro procuraram ajuda médica e acabaram internados com suspeita de virose. 

“É a mesma comida que comemos sempre, compradas nos mesmos lugares (dois supermercados diferentes). Muitos me perguntaram se era comida japonesa, mas não foi o que comemos. Nada que tivesse, aparentemente, estragado. Eu comi, minha mãe comeu, amigos comeram. A bebida é a que sempre bebemos. Por isso, é um mistério. E o que liga os quatro casos do Buritis? Eu não sei te falar”, desabafou a filha.

Com a situação tornada pública, a população mineira entrou em alerta. O Estado abriu investigação por meio do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs-Minas), para buscar respostas e, se for o caso, impedir novos casos. 

Em nota técnica expedida na segunda-feira (6), o Cievs-Minas informou que ao menos sete pessoas enfrentam os sintomas da doença: além do que perdeu a vida em Juiz de Fora, há uma pessoa internada em Nova Lima, na Grande BH, e outros cinco na capital mineira.

Força tarefa vasculha casas no Buritis. Todos os pacientes teriam passado pelo bairro. Todos os pacientes diagnosticados são do sexo masculino e as idades deles variam entre 23 e 76 anos. A maioria é de Belo Horizonte – cinco, no total, um de Nova Lima, na região metropolitana, e outro de Ubá, na Zona da Mata.

Grupo formado por agentes de saúde locais para trabalhar no caso, juntou-se a uma equipe enviada pelo Ministério da Saúde.

Intoxicação exógena ou agente infeccioso são as duas principais linhas de investigação da Secretaria Estadual de Saúde. Nada, entretanto, está descartado, numa lista que vai de arboviroses a intoxicação alimentar ou por produtos químicos. 

*Fonte: Estado de Minas.