Para Gerwyn Tumelty, a sensação era comparável a uma chave de fenda perfurando seu rosto.
A dor era tão intensa que, aos 52 anos, ele considerou desistir de viver.
Tumelty sofre de neuralgia do trigêmeo, uma condição frequentemente descrita como a mais dolorosa conhecida pela medicina.
O problema ocorre quando um vaso sanguíneo comprime o nervo trigêmeo, responsável pela sensibilidade da face.
A crise pode ser desencadeada por estímulos simples, como uma rajada de vento, escovar os dentes ou mastigar.
DIAGNÓSTICO COMPLEXO
Muitos pacientes enfrentam uma longa jornada até descobrir a doença, que é frequentemente confundida com problemas dentários.
Aneeta Prem, outra paciente ouvida pela BBC, levou sete anos para receber o diagnóstico correto.
Ela descreve a dor como "raios" atravessando o rosto e chegou a extrair um dente siso desnecessariamente.
Os principais sintomas incluem dores agudas (como choques elétricos), formigamento e olhos lacrimejantes.
Segundo o Hospital Sírio-Libanês, estima-se que existam cinco casos para cada 100 mil habitantes no Brasil.
A doença afeta majoritariamente pessoas acima dos 50 anos e tem maior incidência entre mulheres.
TRATAMENTOS E RISCOS
Embora não se fale em cura definitiva, é possível controlar as crises para devolver qualidade de vida ao paciente.
O tratamento inicial geralmente é feito com medicamentos específicos para dor neuropática.
Em casos mais graves, como o de Tumelty, a cirurgia é indicada para aliviar a pressão sobre o nervo.
O procedimento envolve riscos, como perda auditiva e dormência facial, mas pode oferecer alívio duradouro.
Para Tumelty, a operação em 2019 foi um sucesso físico, mas a recuperação mental exigiu novos hábitos.
IMPACTO NA SAÚDE MENTAL
A convivência com a dor crônica extrema traz consequências severas para o psicológico dos pacientes.
Dados da Trigeminal Neuralgia Association apontam que 33% dos portadores da doença já pensaram em suicídio.
O isolamento social é comum, pois o medo de uma nova crise impede as pessoas de saírem de casa.
Tumelty superou a depressão adotando rotinas rígidas, exercícios físicos e banhos de gelo matinais.
Já Aneeta Prem, que convive com a dor bilateral, hoje atua para conscientizar médicos e dentistas sobre o diagnóstico precoce.
ONDE BUSCAR AJUDA
Se você ou alguém que você conhece está passando por sofrimento psíquico, existem canais de apoio gratuitos:
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CVV (Centro de Valorização da Vida): Ligue 188 (atendimento 24h e sigiloso).
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Emergências: Ligue 192 (SAMU) ou 193 (Bombeiros).
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Rede Pública: Procure um CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) ou uma Unidade Básica de Saúde (UBS).











