04 de fevereiro de 2026
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'NEURALGIA DO TRIGÊMEO'

Na face se concentra a 'pior dor do mundo', relatam pacientes

Condição rara causa dores faciais excruciantes e tem forte impacto na saúde mental; saiba identificar os sintomas

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Para Gerwyn Tumelty, a sensação era comparável a uma chave de fenda perfurando seu rosto.

A dor era tão intensa que, aos 52 anos, ele considerou desistir de viver.

Tumelty sofre de neuralgia do trigêmeo, uma condição frequentemente descrita como a mais dolorosa conhecida pela medicina.

O problema ocorre quando um vaso sanguíneo comprime o nervo trigêmeo, responsável pela sensibilidade da face.

A crise pode ser desencadeada por estímulos simples, como uma rajada de vento, escovar os dentes ou mastigar.

DIAGNÓSTICO COMPLEXO

Muitos pacientes enfrentam uma longa jornada até descobrir a doença, que é frequentemente confundida com problemas dentários.

Aneeta Prem, outra paciente ouvida pela BBC, levou sete anos para receber o diagnóstico correto.

Ela descreve a dor como "raios" atravessando o rosto e chegou a extrair um dente siso desnecessariamente.

Os principais sintomas incluem dores agudas (como choques elétricos), formigamento e olhos lacrimejantes.

Segundo o Hospital Sírio-Libanês, estima-se que existam cinco casos para cada 100 mil habitantes no Brasil.

A doença afeta majoritariamente pessoas acima dos 50 anos e tem maior incidência entre mulheres.

TRATAMENTOS E RISCOS

Embora não se fale em cura definitiva, é possível controlar as crises para devolver qualidade de vida ao paciente.

O tratamento inicial geralmente é feito com medicamentos específicos para dor neuropática.

Em casos mais graves, como o de Tumelty, a cirurgia é indicada para aliviar a pressão sobre o nervo.

O procedimento envolve riscos, como perda auditiva e dormência facial, mas pode oferecer alívio duradouro.

Para Tumelty, a operação em 2019 foi um sucesso físico, mas a recuperação mental exigiu novos hábitos.

IMPACTO NA SAÚDE MENTAL

A convivência com a dor crônica extrema traz consequências severas para o psicológico dos pacientes.

Dados da Trigeminal Neuralgia Association apontam que 33% dos portadores da doença já pensaram em suicídio.

O isolamento social é comum, pois o medo de uma nova crise impede as pessoas de saírem de casa.

Tumelty superou a depressão adotando rotinas rígidas, exercícios físicos e banhos de gelo matinais.

Já Aneeta Prem, que convive com a dor bilateral, hoje atua para conscientizar médicos e dentistas sobre o diagnóstico precoce.

ONDE BUSCAR AJUDA

Se você ou alguém que você conhece está passando por sofrimento psíquico, existem canais de apoio gratuitos:

  • CVV (Centro de Valorização da Vida): Ligue 188 (atendimento 24h e sigiloso).

  • Emergências: Ligue 192 (SAMU) ou 193 (Bombeiros).

  • Rede Pública: Procure um CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) ou uma Unidade Básica de Saúde (UBS).