20 de dezembro de 2025
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CIÊNCIA | ALIMENTAÇÃO

Pó de rocha pode ser trunfo do Brasil para produtividade nas lavouras

Pesquisadores visitam mineradoras em MS

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O uso do pó de rocha – ou remineralizadores de solo – pode ser mais um importante trunfo do Brasil para garantir a fertilidade do solo, conseguir produtividade nas lavouras e ampliar a capacidade de retenção de carbono, dessa forma contribuindo para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) do milênio estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU). O tema foi abordado na palestra Uso de Remineralizadores de Solo apresentada na tarde desta terça-feira (7.dez.21) pelos pesquisadores Magna Bergmann e Cesar Martoreli da Silveira.

A palestra foi proferida para um público seleto de técnicos e empresários do ramo de mineração, no auditório do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) e transmitida ao vivo pela página da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro) no Facebook.

O secretário da Semagro, Jaime Verruck, fez a abertura do evento afirmando que a tecnologia é bem-vinda e se junta aos esforços dos produtores rurais para garantir solo fértil, produtividade e produção sustentável.

Secretário Jaime Verruck (C) durante palestra. Foto: Reprodução Secretário Jaime Verruck (C) durante palestra. A geóloga e pesquisadora do Serviço Geológico Brasileiro, Magna Bergmann (D) e o professor doutor em Produção Vegetal pela Unesp de Jaboticabal (SP), Cesar Martoreli da Silveira. Foto: Reprodução 

Magna Bergmann é geóloga, pesquisadora do Serviço Geológico Brasileiro e fez uma explanação aprofundada sobre as propriedades das diferentes rochas disponíveis no país e no Estado, as técnicas necessárias e a possibilidade do uso desse insumo como corretivo e fertilizante do solo.

O professor doutor em Produção Vegetal pela Unesp de Jaboticabal (SP), Cesar Martoreli da Silveira, apresentou estudos mostrando os efeitos do pó de rocha no melhoramento do solo. Ele já testou o insumo no cultivo de milho, soja, amendoim e cana-de-açúcar, sendo que essa última cultura foi testada em lavoura, apresentando índices satisfatórios de fertilidade.

A ideia é aproveitar o subproduto das mineradoras. Foto: Reprodução  A ideia é aproveitar o subproduto das mineradoras. Foto: Reprodução  

A ideia é aproveitar o subproduto das mineradoras – que acabam gerando montanhas de resíduos de rochas – para aplicar nas lavouras e promover a reestruturação do solo para garantir uma fertilidade mais duradoura do que a obtida com a aplicação de insumos industriais como o NPK, explica Magna Bergmann. O pó de rocha não é capaz, sozinho, de substituir o uso de fertilizantes industriais num primeiro momento, porém o uso prolongado pode levar o solo a uma regeneração que forneça a maior parte ou todos os nutrientes que a planta necessite.

A palestra foi proferida para um público seleto de técnicos e empresários do ramo de mineração, no auditório do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul). Foto: Reprodução | Semagro A palestra foi proferida para um público seleto de técnicos e empresários do ramo de mineração, no auditório do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul). Foto: Reprodução | Semagro 

“As pesquisas criam oportunidades para que possamos avançar”, ponderou o professor Cesar Martoreli.

Os resultados já obtidos apontam para vantagens seguras tanto aos produtores, como para os mineradores (que encontram um interessante filão para comercializar esse subproduto), quanto para o meio ambiente, já que o pó de pedra demonstra mais eficiência na retenção de carbono e numa reestruturação do solo que garanta fertilidade por um período mais longo do que com o uso dos fertilizantes convencionais.

Os pesquisadores continuam no Estado, visitando mineradoras e propriedades rurais para aprofundar as análises e estudos com o pó de rocha aplicado especificamente no solo do Estado.

Texto de João Prestes.