25 de novembro de 2020
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Mulheres negras

Seci promove debate sobre espaços de poder e representatividade das mulheres negras

A Secretaria Especial de Cidadania (Secid) por intermédio da Subsecretaria Estadual de Políticas Públicas para a Promoção da Igualdade Racial, realizou na terça-feira (10.12) roda de conversa com o tema “Mulheres Negras nos Espaços de Poder e Decisão”. O evento contou com a participação da major Denice Santiago, Comandante da Ronda Maria da Penha, da Polícia Militar do Estado da Bahia.

A Secretária Especial de Cidadania, Luciana Azambuja, destacou que o tema do evento é um reflexo das atividades desenvolvidas durante o mês de novembro, com a Campanha Novembro Negro, e que o espaço de fala hoje era das mulheres negras. “Precisamos debater a participação mais ativa e efetiva das mulheres negras e quilombolas na sociedade. Nosso papel é articular ações para o cumprimento das políticas públicas para a promoção da igualdade racial, facilitando a ocupação das mulheres em posições de liderança, assegurando-lhes maior respeito, visibilidade e representatividade”, explica.

Mediadora da roda de conversa, a subsecretária Estadual de Políticas Públicas para a Promoção da Igualdade Racial, Ana José Alves, lembrou a trajetória percorrida ao longo dos anos e a importância do debate. “A luta é árdua e diária e aqui temos hoje mulheres negras e vitoriosas que estão lutando dia a dia pelo seu espaço. Infelizmente a representação de mulheres negras em cargos de decisão ainda não é suficiente, mas o cenário tende a mudar, estamos lutando e comprometidas com maior representatividade”, afirma.

Major Denice, da PM da Bahia, fala sobre a experiência de comandar a Ronda Maria da Penha

Participante do evento, a “Salvadora de Marias”, como é conhecida a major Denice Santiago, da Polícia Militar da Bahia, e idealizadora do projeto Ronda Maria da Penha, contou um pouco sobre sua experiência de vida como uma mulher negra e feminista num lugar de poder dentro da Polícia Militar. “Eu cumpro horário, eu cumpro metas, eu sei reverenciar o militarismo. Mas eu também sei discutir sobre o feminismo, sobre discriminação racial”. E reforçou: “Vir aqui ao Mato Grosso do Sul, contar a minha história, porque é a história de uma menina negra, da periferia de uma capital que em um processo de superação consegue galgar um espaço socialmente validado é poder entender que em todos os espaços, em todos os estados, existe essa mesma carência, essa mesma necessidade desse debate. Mas também saio muito feliz, por saber que estamos abrindo a possibilidade de mais mulheres serem escutadas, mais mulheres serem privilegiadas com o saber e o saber é o que faz nosso poder de crescer”, conclui.

Segundo a professora Silvana Ramos, diretora da Escola Estadual Manoel Bonifácio Nunes da Cunha, em Campo Grande, é importante lembrar que a ampliação do acesso das mulheres às posições de poder e decisão deve ter como meta, não apenas a garantia de paridade, mas a transformação da sociedade. “Tudo o que falamos hoje aqui acabou remetendo a educação. Não somente por parte da professora, porque nós educamos nossos filhos também, nesse sentido temos um papel importante de respeitar a história, de resgatá-la, pois com a educação podemos proporcionar um país melhor para todos nós, sem preconceitos e sem racismo”, finaliza.

O evento é a nona edição do Diálogos de Cidadania, que faz parte do Programa MS Cidadão, criado com o objetivo de realizar encontros mensais para a discussão de direitos civis, políticos e sociais, no contexto das políticas públicas representadas pela Subsecretaria.

Também estiveram presentes a subsecretaria Estadual de Políticas Públicas para Mulheres, Giovana Corrêa, o subsecretário Estadual de Políticas Públicas para Juventude, Ian Leal, o subsecretário de Políticas Públicas LGBT, Frank Rossatte, a secretária Especial Adjunta de Cidadania, Maria Thereza Trad, além de representantes do Movimento Negro e sociedade civil.