26 de novembro de 2020
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Vídeo: antes de morrer, técnica de enfermagem apelou pelo isolamento

Ao fundo do vídeo ela relatou que pessoas faziam aglomerações em um bar próximo ao hospital

A técnica de enfermagem Daniele Costa fez, há cerca de uma semana, uma transmissão Ao Vivo no Facebook relatando aos amigos como era estar com o novo coronavírus e fez um apelo para que as pessoas permaneçam em isolamento social. Ela morreu quatro dias depois, em 27 de abril, ao ser levada para o Centro de Terapia Intensiva do Hospital Zilda Arns.

Na gravação feita aos seguidores na rede social, a técnica narra como seu atendimento no Hospital Geral de Nova Iguaçu a deixou incomodada. Daniele trabalhava na UPA de Austin, em Nova Iguaçu, e começou a sentir os sintomas no dia 14 de abril e procurou a unidade dois dias depois. O primeiro médico que a recebeu estava há pelo menos 12 horas sozinho no plantão e sem se alimentar. Após realizar a tomografia computadorizada ela foi atendida por outro médico, que segundo Daniele, nem a olhou nos olhos, a liberou logo em seguida e ainda afirmou que achava estar contaminado.

“Eu fui tão maltratada no hospital aquele dia. Sou profissional de saúde, me identifiquei que trabalhava na UPA, mas fui tratada muito mal. O segundo médico nem olhou na minha cara. O primeiro, infelizmente não estava lá. Ele me mandou embora sem prescrever a medicação e dizendo que todos iriam pegar [Covi-19]”, desabafou. No vídeo é possível ouvir música muito alta. Daniele conta que o som vem de uma barraca em sua rua que frequentemente realiza pequenas festas e aglomerações.

— Aqui do lado tem uma barraca e eu vejo reuniões todos os dias. Isso me entristece, dói meu coração. São todos meus vizinhos e pessoas que eu gosto. Fico com medo deles ficarem doentes igual a mim. Não quero que nenhum dos meus amigos e familiares passem pelo que eu passei. Cada dia é uma surpresa e um sintoma diferente. Tenham cuidado, cuidem dos seus amigos e família. Deixe para comemorar depois, fazer churrasco depois. Não é o momento, estão botando suas vidas e de outros em risco. É muito ruim e não é brincadeira — narrou Daniele.

Em seu depoimento a técnica ainda comenta que outros colegas que trabalham na frente do combate ao coronavírus foram infectados. Um deles, inclusive teve duas mortes em sua família.

— Meus amigos da área de saúde, diminuam a carga de trabalho. Eu sei que precisamos, mas estou pagando por trabalhar muito e hoje estou vendo que não é legal. Lutem pelos EPIs de verdade, os EPIS corretos.

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