28 de outubro de 2020
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Ameba 'comedora de cérebro' infecta e mata crianças nos EUA e Argentina

Frequentemente encontrada em água morna, a ameba entra no corpo pelo nariz. Já matou um bezerro no Brasil

Uma criança de seis anos morreu vítima da ameba comedora de cérebro no Texas, nos Estados Unidos — doença que já vem afetando o país desde o início do ano. Chamada de Naegleria fowleri, a ameba é encontrada normalmente em água morna e entra no corpo pelo nariz e assim viaja até o cérebro do infectado. Em janeiro a Sociedade Internacional de Doenças Infecciosas (ISID) confirmou a morte de um garoto argentino de 8 anos por uma infecção causada por uma ameba chamada de “devoradora de cérebro”.

O Texas Commission on Environmental Quality (TCEQ), órgão responsável pela qualidade ambiental do estado americano, enviou um conselho para os residentes de seis cidades texanas que recebem água da companhia Brazosport Water Authority, segundo a CNN. O aviso é para que as pessoas evitem beber qualquer tipo de água nos locais pelo fato de ela conter a ameba mortal.

No caso do menino argentino, ele teria sido infectado durante um mergulho na lagoa de Mar Chiquita, na província de Junín, a cerca de 320 km da capital Buenos Aires.

O menino morreu uma semana depois de apresentar os primeiros sintomas, muito parecidos com meningite: febre, dor de cabeça, vômitos, intolerância à luz e ao barulho.

Já a crainça americana, de 6 anos, pode ter sido infectada pela rede de água do Texas. Testes encontraram a ameba em uma mangueria de água na casa do garoto, bem como em sprays de água no centro da cidade de Lake Jackson, onde o menino morava.

Depois da morte do garoto, um teste de 11 amostras de água da cidade mostrou que três delas estavam infectadas com a ameba. Para os moradores da cidade, o conselho é que eles fervam a água antes de consumi-la.

Desde 1962, a Flórida registrou 37 casos. Nos EUA, a doença já afetou 145 pessoas nos últimos 58 anos — dessas, apenas quatro sobreviveram. Em 2019, a ameba fez uma vítima fatal no país. Lily Avant tinha dez anos e contraiu a infecção ao nadar em um rio no Texas. Em 20 dias, a menina estava morta.

A maioria dos doentes morre em até uma semana e estimativas apontam que 97% deles falecem.

AMEBA “COMEDORA DE CÉREBRO” NO BRASIL

No Brasil, existem diversos tipos de ameba de vida livre, inclusive a Naegleria fowleri. Apesar disso, a comunidade científica não registra casos de contaminação em humanos.

De acordo com Ciccone Miguel, já foram registrados pelo menos cinco casos de infecção por amebas de vida livre, porém, para apenas um caso confirmou-se que a espécie Naegleria fowleri foi a responsável pela morte do indivíduo. Mesmo assim, este caso ainda é considerado contraditório.

O que se pode afirmar com certeza é que em 2009 foi confirmada a morte de um bezerro por meningoencefalite causada pela ameba comedora de cérebro no Estado da Paraíba.

COMO EVITAR A CONTAMINAÇÃO

Esse tipo de ameba vive em águas mais aquecidas e é resistente a altas temperaturas, suportando um aquecimento de até 45º C. Para evitar o contágio, o ideal é não nadar em lagos ou lugares de água parada. Se for fazer, o melhor é proteger o nariz para evitar que a ameba “comedora de cérebro” entre no organismo. Vale ressaltar que uma pessoa infectada não é capaz de transmitir este parasita para outra pessoa.

FONTE: Com R7  e EXAME.