24 de novembro de 2020
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CORONAVÍRUS

Distanciamento social pode ser necessário até 2022, diz estudo

Imunidade ao coronavírus deve ser temporária, afirmam pesquisadores da Universidade Harvard

Estratégias intermitentes de distanciamento social talvez precisem ser empregadas até 2022 para evitar que o novo coronavírus continue a colocar em risco os sistemas de saúde mundo afora, indica um estudo assinado por pesquisadores da Universidade Harvard, nos EUA.

Na pesquisa, que acaba de sair na revista especializada Science, a equipe liderada por Marc Lipsitch, do Departamento de Epidemiologia da instituição americana, usou dados sobre o Sars-CoV-2 e sobre outras formas de coronavírus para tentar simular uma enorme variedade de cenários de evolução da Covid-19 ao longo dos próximos anos, chegando até 2025.

As incertezas são grandes, a começar pelo fato de que ainda não está claro como ficará a imunidade das pessoas que já tiveram a doença e se recuperaram. Mas, considerando tudo o que sabe sobre os parentes do vírus que circularam ou ainda circulam pelo planeta, a resistência ao parasita, criada por uma primeira infecção que o organismo debelou produzindo anticorpos, será temporária, durando apenas um ou dois anos. Essa é, por exemplo, a escala de tempo da imunidade ao causador da Sars, “primo” do patógeno causador da atual pandemia.

Nessas condições, a tendência é que o novo coronavírus, Sars-CoV-2, passe a circular todos os anos, ou a cada biênio, tal como outros coronavírus que hoje causam formas de resfriado mundo afora (em geral, com sintomas leves ou moderados). Com a ajuda dos dados existentes nos EUA sobre a circulação desses coronavírus que já são velhos conhecidos dos médicos, os cientistas testaram estimar o que pode acontecer com a nova ameaça.

Uma das mais informações mais importantes para tais simulações é o chamado R0 ou número de reprodução básica — grosso modo, correspondente a quantas novas pessoas alguém que carrega o vírus é capaz de infectar, em média. Um R0 = 3, por exemplo, significa que cada doente contamina, em geral, três outras pessoas.

Os dados americanos indicam que os coronavírus que já são “mansos” possuem R0 em torno de 2. O número tende a cair nos meses mais quentes do ano e a subir no outono e no inverno, e essa queda é mais acentuada nos lugares mais frios, como Nova York, e menos importante nos locais mais quentes, como a Flórida. Já os dados obtidos até agora sobre o Sars-CoV-2 indicam que seu R0 fica entre 2 e 3, e não se sabe até que ponto ele pode ter atuação sazonal (dependente da época do ano).

Seja como for, todas as simulações mostram que o vírus continuaria conseguindo se multiplicar na população em qualquer período do ano. O que muda se ele “gostar” mais do inverno é a presença de picos maiores e recorrentes nessa época.

Os pesquisadores também simularam os efeitos das medidas de distanciamento social — fechamento de escolas, eventos, comércio, restrição da circulação etc. — sobre o avanço da doença e a sobrecarga do sistema de saúde. A principal variável seria justamente o efeito sobre o R0 do vírus (reduções de 60%, 40% ou 20% na quantidade de pessoas infectadas por cada doente, por exemplo).

VEJA A REPORTAGEM COMPLETA DA FOLHA DE S. PAULO.