03 de dezembro de 2020
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Coordenador da Sesai teria ameaçado funcionários que tentaram continuar trabalhando

Diana Christie Indígenas das etnias Terena, Guarani, Kaiowá, Guató, Kinikinaw e Kadiwéu estão acampados desde quarta-feira na sede do Dsei-MS (Distrito Sanitário Especial de Mato Grosso do Sul). Eles reivindicam melhorias nos postos de saúde que atendem as aldeias, além da saída do coordenador da Sesai (Secretaria de Saúde Indígena), Nelson Olazar. Simultaneamente, os indígenas fazem ações na sede da Sesai e nas cidades de Aquidauana, Miranda e Caarapó. De acordo com o presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena, Fernando Souza, o movimento é pacífico, com a presença de mulheres e crianças, apesar do incidente ocorrido na BR 262 na manhã de ontem, quando um cidadão, ao tentar furar o bloqueio, disparou contra o chão e acabou acertando o pé de um indígena. “Foi um episódio lamentável que causou maior revolta ainda para a população indígena do Estado”, afirma. Fernando conta que o coordenador da Sesai pediu a retirada dos funcionários da Dsei mesmo contra a vontade de alguns profissionais. Segundo ele, foi uma ordem arbitrária já que os indígenas se comprometeram a não atrapalhar o andamento de serviços essenciais prestados ali. “Ficaríamos em silêncio. Inclusive, o coordenador estava ameaçando os funcionários que não quisessem sair”, denuncia. Agora pela, tarde, as lideranças irão solicitar ao MPF (Ministério público Federal), a criação de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) para que os funcionários retornem suas atividades. Segundo Fernando Souza, Olazar já respondeu uma sindicância interna por denúncias de assédio moral e sexual há quatro meses atrás. “O chefe da Sesai em Brasília (Antônio Alves) conhece todas as nossas dificuldades e ainda assim insiste em manter um chefe que permitiu o colapso da saúde no Mato Grosso do Sul”, acusa. As lideranças indígenas afirmam que desocuparão a sede da Dsei apenas quando o secretário especial de Saúde Indígena, Antônio Alves, vir ao Estado negociar. O cacique da aldeia Morrinho em Aquidauana, Benigno Paulino, reclama que faltam ambulâncias, medicamentos e condições de saneamento básico na região pela má administração de Olazar. “O coordenador não está atendendo a gente. Pelo jeito dele, parece que ele não gosta de nós”, desabafa. “São 75 mil índios em todo o Estado que vem sofrendo, morrendo porque falta organização. São postos sem manutenção, sem luz. Faltam portas nos banheiros, medicamentos. Prédios com infiltrações”, conclui Fernando Souza.