30 de novembro de 2020
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MEMÓRIA DO FUTEBOL

Armando Dávalos, aos 63, ainda bate um bolão nos campos da vida

Fronteiriço brilhou em clubes do Brasil e do Paraguai e fez história no timaço do São Paulo de 1978

No dia cinco de novembro de 1978, São Paulo e Corinthians duelaram no Morumbi. Era um jogo decisivo para os dois clubes na reta final do Paulistão. Basílio, de letra, fez um golaço e pôs o alvinegro em vantagem. Mas o tricolor foi em busca do empate: o ponta-esquerda Zé Sérgio cruzou para Neca. O centro-avante cabeceou, a bola bateu na trave e sobrou para Armando. O meia disparou com o pé esquerdo, a bola passou por entre as pernas de Amaral – zagueiro que foi da seleção brasileira – e venceu o goleiro Jairo.

Armando jogava com a camisa 10. Fazia parte daquele timaço do São Paulo, que nessa partida entrou em campo com seu elenco titular: Waldir Peres, Getúlio, Antenor, Tecão e Bezerra; Chicão e Armando; Zequinha, Neca, Válter Peres e Edu Bala. Nessa época, vestir a camisa 10 significava ser um fora-de-série e atuar com ou contra os grandes nomes do tutebol, como eram os são-paulinos Waldir Peres, Getúlio, Chicão, Murici e Edu Bala, e os corinthianos Vaguinho, Vladimir, Basílio, Amaral, Sócrates, Jairo, Zé Maria e Biro-Biro.

DESTAQUE

Armando René Davalos Brites, ou simplesmente Armando Dávalos, é um villariquenho que nasceu no Paraguai e mora até hoje em Pedro Juan Caballero, cidade gêmea de Ponta Porã, na fronteira Brasil-Paraguai. Desde a adolescência, com seu irmão Chirnio, já falecido, destacava-se nos gramados da região. 

Um dos seus amigos e contemporâneos, o jornalista Edson Moraes, com quem jogou no infanto-juvenil do Comercial de Ponta Porã em 1978-79, testemunha: “Os irmãos Dávalos, desde adolescentes, já ensinavam a arte do futebol criativo, inteligente, leal e competitivo. Eram cerebrais”. 

O juvenil do Comercial de Ponta Porã, em 1971-72. Em pé: Shiroshi, Geraldo Ajala, marciano, Edon Moraes, Armando Dávalos, César Camargo, marcos Pinga e Quirnio. Agachados: Nery Godoy, Alfedo Capi, Antonio Alderete, Paulo César Fecha, Joca Caimare, Jones Marques e Davi Teixeira. Foto: Arquivo 

Além de clubes da fronteira – entre os quais o 2 de Maio, de Pedro Juan -, Armando defendeu clubes de outros estados brasileiros. O mais badalado foi o São Paulo. Mas atuou também no Botafogo, de Ribeirão preto (SP); Náutico, de Recife (PE); Gaúcho, de passo Fundo (RS); e outros times do interior paulista, como Amparo, Fernandópolis, Penapolense e Comercial, de Registro.

Nascido em 23 de janeiro de 1957 e hoje com 63 anos, Armando experimenta os sabores de uma aposentadoria enriquecida pelas amizades que construiu ao longo da vida. Com a segunda esposa, Maria Rita, e os filhos Thiago, Larissa, Leonardo, Claudine e Adrián, é um homem realizado, segundo suas próprias palavras. Tudo o que aprendeu e cultivou no futebol ele ensina às outras gerações. É técnico e com algumas façanhas, uma delas a de treinar o time do 2 de Maio na campanha que garantiu o acesso à divisão principal.

Armando é lembrado com carinho e admiração por ex-jogadores de seu tempo e que já atuaram ao seu lado. Murici Ramalho é um deles. São amigos. Fizeram parte do elenco em 1978-79, período em que Armando realizou 32 partidas com o uniforme do São Paulo. Foram 18 vitórias, nove empates, cinco derrotas e quatro gols. Estreou em 15 de abril de 1978 na vitória de 4 a 2 sobre o Guaxupé e fez sua última partida pelo tricolor em seis de junho de 1979 no empate de 2 a 2 com o Americana (SP).  

Além do jornalista Edson Moraes, os talentos de atleta e ser humano de Armando Dávalos são reconhecidos por outros amigos e ex-jogadores que tiveram o privilégio de entrar em campo ao seu lado, como Jones Marques, um dos maiores astros do salonismo no Estado. O pecuarista e escritor Ramão Ney Magalhães, que foi dirigente do Comercial de Ponta Porã, está entre seus grandes incentivadores.