O "Conselho de Ética" da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) sob o comando do pessedista Alexandre Curi (2025-2027) herdeiro do corrupto Ademar Traiano (2015-2025), aprovou o parecer que abre caminho para a possível cassação do mandato do deputado estadual Renato Freitas (PT).
Freitas é um dos principais deputados de oposição a extrema direita no Paraná, e tornou público na Casa de Leis o Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) que Traiano firmou com o Ministério Público do Paraná, confessando que recebeu propina de 2023 e início de 2024 para beneficiar ganhadores do contrato de prestação de serviços na estrutura da Assembleia.
O procedimento tem como base um episódio de conflito físico registrado no centro de Curitiba, em novembro de 2025, envolvendo o parlamentar e um manobrista.
O QUE REALMENTE ACONTECEU
Em 19 de novembro, Renato Freitas foi gravado em uma briga com o manobrista Wesley de Souza Silva. O deputado estadual fraturou o nariz.
À época, a assessoria de Freitas afirmou que Wesley iniciou "uma série de ataques verbais sem motivo aparente" e que o parlamentar reagiu após ser atingido no rosto. "O homem jogou o carro em cima de nós. Depois veio atrás, filmando para criar views. Renato foi atacado e revidou", declarou em nota.
Renato recebeu apoio de aliados, a exemplo do presidente nacional do PT, Edinho Silva.
"CONSELHO DE ÉTICA" PRÓ-TRAIANO
No "Conselho de Ética", cinco dos seis integrantes votaram pela recomendação de cassação, sob o entendimento de que houve conduta incompatível com o mandato parlamentar. O único voto contrário foi do deputado Dr. Antenor (PT), que defendeu arquivamento ou sanções mais brandas.
A defesa do deputado sustenta que há desproporcionalidade na condução do processo e aponta motivação política na tentativa de punição mais severa.
Todos os membros do Conselho de Ética atual são aliados de Traiano, por isso, o processo contra Renato está nas mãos de uma análise puramente política, longe da presunção de inocência ou a Constituição e direitos legais.
Eis a lista dos deputados aliados de Traiano que tentam cassar o mandato legítimo de Renato Freitas:
Delegado Jacovós (PL) – presidente
Deputado Jacovós líder do bloco PL/NOVO no Paraná. Foto: Valdir Amaral/AlepPreside o Conselho de Ética e conduz os processos disciplinares. Alinhado de Traiano. Votou pela cassação do mandato de Renato Freitas.
Marcio Pacheco (PP) – vice-presidente
Deputado Marcio Pacheco (PP). Foto: Divulgação/Assessoria ParlamentarAtua na vice-presidência do colegiado é defensor de Ademar Traiano. Votou pela cassação do mandato legítimo de Renato Freitas.
Delegado Tito Barichello (União Brasil)
O deputado estadual Tito Barichello (PL). Foto: Valdir Amaral/AlepEx-delegado da Polícia Civil, atua em defesa de Ademar Traiano e é alvo de investigação. Votou pela cassação do mandato legítimo de Renato Freitas.
Dr. Antenor (PT)
Dr. Antenor defende a legislação e direitos básicos votando contra a cassação de Renato Freitas. Foto: Orlando Kissner/AlepRepresenta a oposição no colegiado e costuma adotar posições críticas em processos disciplinares mais duros. Votou contra a cassação do mandato legítimo de Renato Freitas.
Dr. Leônidas (Cidadania)

Atua frequentemente como relator em processos internos e tem perfil mais técnico dentro do Conselho. Defende Ademar Traiano. Votou pela cassação do mandato legítimo de Renato Freitas.
Artagão Júnior (PSD)
Deputado Artagão Júnior (PSD). Foto: Orlando Kissner/AlepParlamentar de base governista, com atuação histórica em comissões e articulação legislativa. Aliado de Ademar Traiano. Votou pela cassação do mandato legítimo de Renato Freitas.
Secretária Márcia (PSD)
Deputada Secretária Márcia Huçulak (PSD). Foto: Dálie Felberg Integrante da base parlamentar de Traiano. Participa de relatorias e decisões internas do colegiado. Votou pela cassação do mandato legítimo de Renato Freitas.
ALGOZES DE RENATO SÃO ALVOS DE INVESTIGAÇÃO
Tito Barichello já chegou a sugerir 'pena capital' (pena de morte) contra o deputado Renato Freitas. Foto: Orlando Kissner/AlepPara se ter uma ideia de quem se julga capaz de avaliar a conduta de Renato, dentre os membros do Conselho de Ética está um dos seus principais críticos, o deputado estadual Tito Barichello (União Brasil-PR).
Tito que é alvo de investigação no âmbito da Corregedoria da Polícia Civil do Paraná e do Ministério Público do Estado, por suspeitas de irregularidades envolvendo a simulação de uma operação policial divulgada em redes sociais.
O caso apura possível abuso de autoridade e conduta inadequada no uso da função de delegado, sem relação, até o momento, com acusações formais de corrupção ou desvio de recursos públicos.
Curiosamente, a denúncia contra Freitas tem autoria dos vereadores de Curitiba Bruno Secco, Eder Borges, Guilherme Kilter e Tathiana Guzella, além dos parlamentares Fábio de Oliveira (Novo), Ricardo Arruda (PL) e do próprio Tito Barichello (PL), que além de "acusador" atua como "juiz" no caso.
PRÓXIMOS PASSOS
Com a aprovação do parecer, a defesa poderá apresentar recurso no prazo regimental. Caso seja rejeitado, o caso seguirá para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que avaliará a legalidade do procedimento.
Se avançar, o processo será levado ao plenário da Assembleia Legislativa, onde a cassação depende de maioria absoluta: pelo menos 28 dos 54 deputados.











