O mapa-múndi de Donald Trump continua ganhando novas estrelas na bandeira americana — ao menos no mundo digital. O presidente dos EUA publicou nesta 3ª feira (12.mai.26) em sua rede social, Truth Social, uma imagem que oficializa a Venezuela como o 51º estado norte-americano. A postagem ocorre após Trump invadir Caracas e sequestrar o presidente Nicolás Maduro em janeiro, transformando a crise humanitária latina em uma oportunidade de negócio para a Casa Branca.
A motivação por trás do entusiasmo expansionista não é humanitária, mas geológica. Trump foi explícito ao citar as reservas de petróleo venezuelanas, avaliadas em US$ 40 trilhões: “A Venezuela ama Trump”, disparou o republicano, ignorando solenemente a resistência da presidente interina Delcy Rodríguez.
“PLATAFORMAS BONITAS” E O FIM DA SOBERANIA
Para Trump, a administração de um país parece se resumir à eficiência de sua extração mineral. Em entrevista exibida no dia 10 de maio, o presidente celebrou o cenário pós-Maduro com seu vocabulário característico:
“Eles estavam infelizes. Agora estão felizes. Está sendo bem administrado. A quantidade de petróleo que está sendo extraída é enorme... as grandes companhias estão usando as plataformas mais enormes e bonitas que você já viu".
A resposta de Delcy Rodríguez, no entanto, foi um balde de água fria na pretensão colonial:
“E continuaremos defendendo a nossa integridade, soberania e independência. Nossa história é uma história gloriosa... para nos tornar não uma colônia, mas um país livre”, rebateu a mandatária.
"SALDÃO" TERRITORIAL DE TRUMP
A Venezuela é apenas o item mais recente em uma vitrine de anexações sugeridas pelo republicano desde que reassumiu a Casa Branca. O método é sempre o mesmo: uma mistura de oferta comercial com ameaça militar.
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Canadá:Trump ofereceu o sistema antimíssil “Domo de Ouro” de graça, desde que Ottawa aceite se tornar o 51º estado. Caso contrário, a fatura é de US$ 61 bilhões. Segundo ele, os canadenses “estão considerando a oferta!”. Claro, é mentira. O Canadá jamais considerou a proposta absurda de Trump.
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Groenlândia: O presidente classificou o território dinamarquês como “vital” para a segurança nacional e para o escudo antimíssil. Ele defendeu que a Otan lidere o processo de aquisição da ilha para evitar o avanço de Rússia ou China: “Isso não vai acontecer!”, escreveu.
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Cuba: No auge de uma crise energética na ilha, Trump declarou que seria uma “honra tomar Cuba”, revertendo definitivamente qualquer resquício da política de degelo da era Obama.
MÉTODOS E MONTAGENS
O uso de Inteligência Artificial para gerar montagens onde Trump finca bandeiras em solo estrangeiro ou redesenha mapas mundiais tornou-se a ferramenta oficial de diplomacia do republicano.
Para líderes globais, as publicações revelam uma visão de mundo onde fronteiras são fluidas e nações soberanas são tratadas como ativos imobiliários à espera de uma "aquisição hostil" pelo império americano.
Ao tratar países soberanos como "estados em potencial", Trump resgata uma versão crua do imperialismo do século XIX, onde o valor de um povo é medido pelo tamanho de suas reservas de petróleo e pela sua utilidade para o escudo de defesa dos EUA.











