Carta assinada por 54 bispos católicos afirma que a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) ameaça a democracia, a soberania nacional e princípios da Doutrina Social da Igreja.
O documento foi divulgado pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, e convoca os fiéis a não se omitirem diante do segundo turno presidencial de 2026.
“Não podemos nos manter neutros”, escrevem os religiosos, que citam ensinamentos do papa Leão XIV e alertam para os riscos de ameaças totalitárias.
A carta não cita os candidatos nominalmente, mas descreve Flávio como filho do ex-presidente condenado e preso por atentar contra a democracia.
SETE CRÍTICAS À CANDIDATURA
Os bispos apontam sete áreas de conflito entre as propostas do senador e os ensinamentos católicos: trabalho, soberania nacional, combate à pobreza, armamento, meio ambiente, direitos humanos e democracia.
Na área trabalhista, criticam a oposição atribuída ao candidato ao fim da escala 6×1 e a proposta de pagamento por hora trabalhada.
Sobre soberania, afirmam que Flávio defende a submissão do Brasil aos Estados Unidos e cita medidas relacionadas à taxação de produtos brasileiros e à exploração de terras raras por empresas norte-americanas.
Os religiosos também questionam a posição do senador sobre programas sociais, ampliação do acesso a armas e políticas ambientais. A carta critica ainda declarações favoráveis à tortura e homenagens da família Bolsonaro ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, reconhecido como torturador durante a ditadura militar.
No campo democrático, os bispos apontam declarações de Flávio sobre mudanças na Constituição e afirmam que uma eventual concentração de poder poderia ameaçar a ordem constitucional.
CARTA NÃO É POSIÇÃO OFICIAL DA CNBB
Os signatários dizem estar em comunhão com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e citam uma mensagem da entidade que defendeu a Constituição, o respeito às urnas e a análise da trajetória dos candidatos.
A carta, porém, é uma iniciativa dos próprios bispos e não representa um documento oficial da CNBB.
Entre os signatários estão dom José Ionilton Lisboa de Oliveira, presidente da Comissão Pastoral da Terra, e os arcebispos Roque Paloschi, de Porto Velho (RO); Zanoni Demettino Castro, de Feira de Santana (BA); e Paulo Mendes Peixoto, de Uberaba (MG).
LULA É CITADO INDIRETAMENTE
Sem citar Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os bispos afirmam que a outra candidatura, apesar de sujeita a críticas, demonstrou responsabilidade com os pobres e com o meio ambiente e atuou dentro dos limites da ordem democrática.
“Gostar ou não do atual governo não pode ser razão para entregar o país nas mãos de quem manifesta tamanha contradição com os ensinamentos de nossa Igreja”, diz o documento.
A manifestação ocorre após atritos entre Flávio Bolsonaro e setores da Igreja Católica durante a campanha. Em setembro, o senador atribuiu a integrantes da CNBB a circulação de um boato sobre Nossa Senhora Aparecida, acusação negada pela entidade.











