23 de outubro de 2026
Campo Grande 33ºC

EXTREMA DIREITA

Economia de Flávio admite que farão cortes no salário mínimo

Coordenadora também afirmou que o Brasil só voltaria a ter eleições em oito anos, sugerindo de o extremista de direita de fato alterará a Constituição Federal

A- A+

Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), admitiu que em um eventual governo do extremista de direita, ela fará alterações na Previdência e promoverá cortes no salário mínimo.

Em entrevista ao podcast Market Makers, ao lado de Flávio, a ex-presidente da Caixa Econômica Federal afirmou que a equipe prepara 300 alternativas de cortes nas despesas públicas.

“Você não tem moral como governo para debater ajuste de previdência, de salário mínimo e tal, se você não for cortar na carne”, declarou.

Segundo Daniella, as propostas serão entregues ao candidato para que ele escolha as medidas. A equipe também discute mudanças fiscais e negociações com o Congresso.

“Quais são os cortes que vão fazer? A gente vai entregar um cardápio na mão dele, né? Tem 300”, afirmou.

SALÁRIO MÍNIMO E APOSENTADORIAS

A discussão remete a uma proposta da equipe econômica de Jair Bolsonaro em 2022. Na época, Paulo Guedes defendia mudar a fórmula de reajuste do salário mínimo e das aposentadorias, com possibilidade de correções abaixo da inflação efetiva.

A ideia fazia parte do plano chamado “3D”, que previa desobrigar, desindexar e desvincular despesas do Orçamento.

Daniella, porém, não detalhou quais são as 300 medidas, quanto elas poderiam economizar nem se a lista inclui mudanças na Previdência e na política de reajuste do salário mínimo.

Alterações no piso salarial também podem afetar aposentadorias e benefícios previdenciários vinculados a ele. Atualmente, a política de valorização prevê correção pela inflação e aumento real condicionado ao crescimento econômico, conforme a legislação.

DANIELLA FALA EM OITO ANOS

Na mesma entrevista, a coordenadora afirmou que o Brasil só voltaria a ter eleições dali a oito anos, ao defender que um eventual governo Flávio aproveite a renovação do Senado para aprovar mudanças.

“Tem capital político. Dois terços do Senado, que é onde a discussão aprofunda, é técnico. Só vai ter eleição daqui a oito anos para a gente botar o Brasil no lugar”, declarou.

O prazo corresponde ao mandato de oito anos dos senadores eleitos em 2026. A declaração repercutiu em meio às discussões sobre a duração de um eventual mandato presidencial de Flávio.

Em outubro, o senador defendeu acabar com a reeleição presidencial, mas admitiu discutir a ampliação do mandato de quatro para cinco anos, agora sua Economia fala em 8. 

“Eu sou autor da PEC e vou usar o capital político que um presidente recém-eleito tem também para conseguir aprovar isso no Congresso para que sirva para mim já no meu mandato”, afirmou em 8 de outubro.

A Constituição estabelece mandato presidencial de quatro anos. A proposta de Flávio para acabar com a reeleição não prevê, por si só, a ampliação desse período.

Uma mudança dependeria de aprovação no Congresso e levantaria questionamentos constitucionais sobre a possibilidade de alterar a duração do mandato de um presidente já eleito.