25 de outubro de 2020
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ENTREVISTA

Bolsonaro está isolado e pode sofrer impeachment, diz o aliado Major Olimpio

Olimpio diz que segmentos decisivos para a eleição de Bolsonaro em 2018, como o agronegócio, os profissionais de segurança pública e os evangélicos, representados pelas bancadas mais influentes no Congresso, estão se distanciando do presidente por insatis

Aprisionado em seu entorno político e familiar, o presidente Jair Bolsonaro está perdendo apoio no Congresso e na sociedade. Está a cada dia mais isolado. E assim, se não tomar cuidado, poderá sofrer um impeachment. A advertência é feita por um aliado fiel ao presidente, o líder do PSL no Senado, Major Olimpio (SP).

Em entrevista exclusiva ao Congresso em Foco, Olimpio diz que segmentos decisivos para a eleição de Bolsonaro em 2018, como o agronegócio, os profissionais de segurança pública e os evangélicos, representados pelas bancadas mais influentes no Congresso, estão se distanciando do presidente por insatisfação com o seu governo. Os investidores, observa ele, também não se sentem seguros em apostar no país, devido à instabilidade política criada quase sempre pelo próprio presidente e seus filhos.

“O policiais nos estados, as guardas municipais, o sistema prisional, todos esperavam mais, queriam atitudes e investimentos concretos. O distanciamento da bancada da agropecuária é bom sinal de alerta para o presidente. Outro grupo muito forte de apoiamento ao presidente, os evangélicos, já está bastante dividido. É para ligar o alerta”, defende Major Olimpio. “Quem está se isolando é o presidente”, completou.

IMPEACHMENT

Para o líder do PSL, Bolsonaro deveria escutar o panelaço feito na última quarta-feira (18) em protesto contra ele como outro alerta. O senador ressalta que o presidente não precisa incorrer em crime de responsabilidade para sofrer um processo de impeachment. Ele diz que a cassação do mandato de Dilma Rousseff, apoiada por ele e Bolsonaro em 2016, foi pelo “conjunto da obra” e não exatamente pelas pedaladas fiscais, como se sustentou à época.

“Acaba não sendo descartada solução dessa natureza [impeachment] se avançar com o volume de crises.  Dentro da lei do impeachment ainda não tem requisito para provocar o impedimento do presidente. Mas isso é uma questão de interpretação”, afirma.

Apenas nos últimos três dias foram apresentados três pedidos de impeachment contra o presidente na Câmara. “Temos de ter todo cuidado do mundo para não deixar casca de banana no caminho do presidente e torcer para ele mesmo não jogar casca lá na frente onde vai andar”, destaca. O clima hoje, no entanto, é pelo não andamento dos requerimentos.

GOLPE E FORÇAS ARMADAS

Major Olimpio afirma que não crê na possibilidade de o presidente tentar um golpe, como receiam seus adversários políticos. Segundo ele, as Forças Armadas não compactuariam com iniciativa dessa natureza. “Não vejo a menor possibilidade disso. Bolsonaro é grande líder da população. As Forças Armadas conhecem o papel constitucional delas. Não vão avançar um milímetro em ruptura de qualquer ordem ou descumprimento da Constituição. Quem tentar fazer isso, até mesmo o presidente, vai falar sozinho.”

O líder do PSL afirma que Bolsonaro não entendeu a gravidade da pandemia, não toma os cuidados necessários para proteger a própria saúde e deveria se preocupar menos com “likes” e mais em apoiar os ministros da Economia e da Saúde. Estar com o povo, ressalta Olimpio, não é tomar a barca Rio-Niterói nem o metrô em São Paulo, como prometeu o presidente em coletiva na quarta ao minimizar mais uma vez o coronavírus. “O povo deu 57 milhões de votos para que ele fique com a saúde imune para tomar medidas para o bem dos demais. Não é para fazer live no meio do povo.”

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