06 de fevereiro de 2026
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FEIRA DA CIDADANIA

Boulos troca o café por tereré e avisa: "Lula vai ser tetra!"

Gesto marcou a presença do Governo Lula no território sul-mato-grossense

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Em Brasília (DF), a política se faz com café quente e ar condicionado. No Parque do Lageado, sob o calor de fevereiro em Campo Grande (MS), o Ministro Guilherme Boulos cedeu aos charmes do tereré — bebida típica no Pantanal. Conhecido pelo programa "Café com Boulos", onde venera a bebida quente enquanto debate o Brasil, Boulos não pode se lembrar ela em MS.  

Na 5ª feira (5.fev.26), o ministro da Secretaria-Geral da Presidência trocou o protocolo do Planalto pela a bebida gelada durante a "Feira da Cidadania", que ocupou o Centro de Artes e Esportes Unificados (CEU das Artes).

O gesto simbolizou muito mais do que apreço cultural: marcou a presença do Governo Lula no território sul-mato-grossense.  

Boulos ganhou um título de cidadão campo-grandense da Câmara Municipal. Foto: Tero Queiroz Boulos ganhou um título de cidadão campo-grandense da Câmara Municipal. Foto: Tero Queiroz 

A bebida foi apresentada pelo vereador Landmark Rios (PT) e servida pela deputada federal Camila Jara (PT).

O vereador Landmark Rios entregou tereré ao Ministro Guilherme Boulos. Foto: Tero Queiroz O vereador Landmark Rios entregou tereré ao Ministro Guilherme Boulos. Foto: Tero Queiroz 

Ao longo do trajeto que fez pelos estandes de diversos serviços oferecidos pela Feira da Cidadania, Boulos bebeu tereré ao pé de dois pernaltas (Mauro Guimarães e Yago Garcia) vestidos de pantaneiros segurando um berrante.

Boulos toma tereré ao lado dos pernaltas pantaneiros. Foto: Tero Queiroz

Na agenda, Boulos não apenas participou das atividades, mas utilizou o espaço para celebrar o governo participativo do presidente Lula (PT) e avisou:

"Lula vai ser tetra na presidência", disse à reportagem do MS Notícias na entrada do evento. 

Guilherme Boulos encontra com lideranças de luta por moradia em Campo Grande (MS). Foto: Tero Queiroz Guilherme Boulos encontra com lideranças de luta por moradia em Campo Grande (MS). Foto: Tero Queiroz 

Em entrevista, Boulos foi bastante incisivo sobre o que motivou o governo federal a circular por meio da Feira da Cidadania desde que ele entrou como ministro-chefe da Secretaria-Geral:

"O presidente Lula disse: Leve os nossos programas para o povo. Qual era a preocupação do Lula? O seguinte: nós lançamos um monte de programas. Por exemplo, o Pé-de-Meia. Tem um monte de gente que tem direito ao Pé-de-Meia, que os filhos já podiam estar recebendo o benefício todo mês, mas a pessoa não se cadastrou. Às vezes não tinha informação adequada, às vezes não teve acesso digital. O Lula criou essas políticas para atender o povo, os trabalhadores, o povo que mais precisa, e nós temos que garantir que isso chegue nessas pessoas", explicou. 

Para Boulos, seu papel no governo está claro e seguirá com o projeto ambicioso de rodar todo o país até 4 de julho, defeso eleitoral.

"Diferente do governo anterior, nós vamos respeitar o defeso eleitoral. Mas a missão que ele [o presidente] me deu é clara: rode o Brasil, vá às periferias. Quando for a Campo Grande, não vá só para a praça central da cidade, vá para as periferias, converse com o povo. Nós vamos rodar as periferias dos 27 estados do Brasil para fazer com que os programas e as políticas do Lula cheguem ao povo. Governo não pode ser visto como algo distante, lá em Brasília. A ideia é trazer o governo federal para perto das pessoas, para a frente da casa delas", argumentou Boulos. 

Ainda segundo o Ministro, o presidente Lula criou as políticas para atender quem mais precisa.

 "Se Deus quiser, com o Lula se reelegendo presidente do Brasil, a gente possa continuar isso e transformar essa iniciativa numa política permanente do governo federal", prospectou. 

VÁCUO MUNICIPAL 

Durante a visita do Ministro, o Comitê de Cultura de Mato Grosso do Sul (CCMS), que ofereceu oficinas culturais e atrações artísticas no espaço, aproveito para realizar uma articulação política em prol do CEU da Artes. Anderson Lima, presidente da Flor & Espinho, foi direto ao ponto na conversa com Boulos:

"A ocupação de hoje prova que a comunidade quer e precisa deste espaço vivo. O que vemos aqui é o Governo Federal e a sociedade civil organizada suprindo uma lacuna deixada pela falta de prioridade da gestão municipal em manter este equipamento ativo de verdade", protesto.  

Boulos, absorvendo a demanda, assumiu o compromisso de ser o interlocutor dessa crise.

"Nesta tarde vou me reunir com a prefeita e levar essa demanda de vocês", garantiu, transformando a queixa comunitária em pauta de reunião de alto nível executivo.

FERRAMENTA DE DISPUTA

A ação no Lageado demonstrou a nova tática da pasta: usar a cultura e a cidadania como ponta de lança para entrada nas periferias. Enquanto a burocracia local emperra, o CCMS montou um "balcão de desburocratização" operante das 9h às 16h.

O foco foi destravar a Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). Técnicos atenderam artistas da ponta para navegar no Mapa da Cultura, rompendo os gargalos que historicamente excluem a periferia dos editais. 

O palhaço Tcholo durante apresentação circense na Feira da Cidadania. Foto: Tero Queiroz O palhaço Tcholo durante apresentação circense na Feira da Cidadania. Foto: Tero Queiroz 

A programação artística serviu de "imã" para a política. O picadeiro montado no CEU, com o Grupo Circo do Mato, a Cia Pisando Alto e o Palhaço Tcholo, garantiu que a mensagem chegasse às famílias, misturando ludicidade com a presença do Estado.

Durante a agenda, Boulos também se reuniu com digitais influencers trans de Mato Grosso do Sul. A conversa foi à portas fechadas, mas acompanhada pela reportagem com exclusividade. A reunião contou com a presença da professora e multiartista Emy Santos, a influenciadora Maria Fernanda (Mafe) e Orlando Beraldo.

LULA NO BAIRRO

Politicamente, a Feira da Cidadania funcionou como uma vitrine da "marca Lula" de gestão social, oferecendo um contraste agudo com a carência de serviços locais. O evento não foi apenas cultural, mas um mutirão de direitos que expôs a necessidade latente da região:

  • Pé-de-Meia: A ansiedade dos jovens no balcão do programa educacional revelou o apelo das políticas de transferência de renda focadas no ensino médio.

  • Saúde e Dignidade: Da vacinação à distribuição de Implanon (contraceptivo de longa duração) e absorventes (Dignidade Menstrual), o governo federal marcou território na saúde preventiva.

  • Direitos: A Tenda Lilás (enfrentamento à violência contra a mulher) e a emissão de ID Jovem reforçaram a agenda progressista.

Até mesmo a fila do INSS serviu de termômetro político. Uma aposentada, que preferiu o anonimato, resumiu o sentimento de quem vê a máquina pública funcionar apenas quando Brasília aterrissa no bairro: "Um médico assinou e o outro não, por isso minha aposentadoria estava travada. Aqui eles me ajudaram, agora é só esperar".

Ao final do dia, a imagem que ficou é a de Boulos na periferia de Campo Grande, "tererezeiro" por um dia, mas articulador político em tempo integral, sinalizando que a disputa pelos corações e mentes — e pelos equipamentos públicos — de Mato Grosso do Sul está ao alcance na prateleira.