03 de dezembro de 2020
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CRISE

Com ciúmes, Bolsonaro ataca Mandetta: "a minha caneta funciona"

Mimado, o presidente fez as declarações para pastores que o esperavam em frente ao Palácio

Isolado até de seus ministros, com ciúmes, e de orgulho ferido o presidente Jair Bolsonaro voltou a ameaçar ontem (5.abril) Luiz Henrique Mandetta, responsável pela pasta da Saúde. “Algumas pessoas no meu governo, algo subiu à cabeça deles”, afirmou no fim da tarde, pouco antes de se encontrar com um grupo de pastores evangélicos nos jardins do Palácio da Alvorada. “Eram pessoas normais, mas de repente viraram estrelas. Falam pelos cotovelos. Tem provocações. Vai chegar a hora deles. A minha caneta funciona”, atacou o presidente. 

O pastor responsável pelo culto que Bolsonaro acompanhou pediu ao presidente que se ajoelhasse junto aos fiéis e garantiu, após a oração, que com a bênção de Deus ninguém mais morreria no Brasil por conta do novo coronavírus. “Não tenho medo de usar a caneta”, seguiu o presidente. “E ela vai ser usada para o bem do Brasil, não é para o meu bem”, justificou.

Na outra ponta “governamental”, Mandetta participou, por vídeo pré-gravado, de duas lives com shows durante o fim de semana. Da dupla sertaneja Jorge e Mateus. E do astro do forró Xand Avião. “É importante que a música chegue”, afirmou o ministro. “Mas que a gente não aglutine, que a gente não coloque as pessoas no mesmo lugar. A gente tem que agora proteger um ao outro”, reforçou o ministro da saúde, que é a personalidade política que ostenta 82% de aprovação, estatísticas bem diferentes da do patrão, Jair Bolsonaro, que em meio ao orgulho vê seus apoiadores debandado. 

Os mesmos que defendem Mandetta, defendem as medidas de isolamento total para impedir contágio. 76% defendem o isolamento mesmo que isso cause prejuízo na economia e no emprego. 18% são contra, segundo Pesquisa recente realizada pela Datafolha e XP, onde foram ouvidos por telefone: 1.511 brasileiros entre 1º e 3 de abril. Dois terços defendem que o comércio não essencial fique fechado e 87% que as aulas sigam suspensas.

Quem convive de perto com Bolsonaro destaca que ele não lida bem com ser deixado em segundo plano — e pior ainda se é contrariado. Em diversos momentos no seu governo já deu mostras disso, como em rixas com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, criticou de forma dura a maneira como o Planalto atua nas redes sociais. “Toda semana tentam criar uma nova narrativa”, disse ontem (5.abril) à noite em entrevista à Band. “O ministro Mandetta começa, agora, a ser alvo de ataques absurdos desse gabinete do ódio que é comandado do exterior por esse Olavo de Carvalho, eu já faço parte desse ataque de forma permanente, o presidente do Senado, o presidente do Supremo.” Para o deputado, no entanto, a tática do gabinete do ódio vem perdendo a eficácia. “A sociedade nesse momento começa a entender que há muitas informações falsas, muitas mentiras, mas, mais do que isso, muita irresponsabilidade, que tem sido, infelizmente, muitas vezes comandada pelo próprio presidente da República”, exclamou. 

Dependente de importações de equipamento e insumos de saúde que vêm da China, o governo brasileiro permanece ignora isso e segue, sem justificativa, criando problemas diplomáticos. “Eles têm contato com um monte de bicho que não é para comer”, disse numa live o ministro da Educação, Abraham Weintraub. “Nos próximos dez anos vem outro vírus desse da China? Probabilidade é alta”, reforçou o ministro cuja a única função no governo é falar “besteiras”.

No sábado (4.abril), Weintraub já havia publicado um tuíte ironizando o país, substituindo as letras ‘R’ por ‘L’. A Embaixada protestou. “Tais declarações são completamente absurdas, têm cunho fortemente racista e objetivos indizíveis, tendo causado influências negativas no desenvolvimento saudável das relações bilaterais China-Brasil”, rebateu. (Com Meio).