20 de fevereiro de 2026
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TRUMP: LICENÇA, PUTIN!

Com o mesmo regime da Venezuela, por que os EUA não invadem a Rússia?

Assim como Putin, Nicolás Maduro é acusado de perseguir opositores, promover prisões arbitrárias e criar impedimentos legais à participação política

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Desde que chegou ao poder, em 1999, Vladímir Putin transformou profundamente o sistema político russo, enfraquecendo instituições democráticas e concentrando poder no Executivo.

Diversos observatórios internacionais classificam a Rússia como um regime autoritário que se mantém há cerca de 25 anos, marcado por restrições severas às liberdades políticas, sociais e de imprensa. O controle — e, em muitos casos, a repressão — a partidos de oposição, à mídia independente e a organizações da sociedade civil é recorrente.

O ambiente eleitoral russo não é considerado livre nem justo. O partido de Putin controla grande parte das instituições políticas, enquanto opositores enfrentam prisões, restrições legais e exclusão do processo político.

Veículos de imprensa independentes operam sob forte pressão do Estado ou foram rotulados como “indesejáveis” ou foreign agents. A legislação recente criminaliza determinados tipos de atividade online e amplia a censura sob o pretexto de combater o “extremismo”.

Grupos de direitos humanos relatam prisões de ativistas, fechamento de ONGs críticas ao governo e a detenção de líderes de organizações civis, como o Golos, observatório eleitoral independente.

Medidas assinadas por Putin permitem ao Estado ignorar decisões de tribunais criminais internacionais e se recusar a reconhecer jurisdições externas, reforçando o isolamento do país e o controle estatal sobre o sistema legal interno.

Ainda assim, o governo de Donald Trump mantém diálogo direto com Putin, senta-se à mesa para negociações e discute acordos comerciais com o líder russo.

Em contraste, Trump declarou guerra à Venezuela, governada por Nicolás Maduro, sucessor político de Hugo Chávez. O país sul-americano também é descrito como um regime autoritário, que já dura cerca de 12 anos, com eleições e instituições sob controle estatal ou intensa pressão política.

Assim como Putin, Nicolás Maduro é acusado de perseguir opositores, promover prisões arbitrárias e criar impedimentos legais à participação política. Relatórios indicam que a estratégia do governo inclui a neutralização e a criminalização sistemática de dissidentes.

Documentos das Nações Unidas e de organizações civis apontam violações sistemáticas de direitos humanos na Venezuela, além de uma grave crise socioeconômica que levou milhões de venezuelanos à migração forçada.

Também à semelhança do Kremlin, o governo Maduro instituiu a chamada “Lei Contra o Ódio” e outros projetos legislativos duramente criticados por ampliarem o poder do Estado para censurar a mídia, impor sanções e silenciar a dissidência sob o argumento de combater o “ódio”.

Organizações da sociedade civil venezuelanas relatam perseguição contínua, incluindo denúncias de crimes contra a humanidade relacionados à repressão política.

Apesar de ambos os países viverem sob regimes autocráticos, neste sábado (3.jan.2026), Donald Trump ordenou um ataque à capital venezuelana, Caracas, resultando no sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores.

É notório que a escolha da Venezuela se deve à sua fragilidade militar. A questão central, porém, permanece: por que Trump negocia com a Rússia, se, segundo o próprio republicano, o problema central é a existência de regimes autoritários?

A resposta é simples e expõe um traço recorrente da política externa dos Estados Unidos da América (EUA). A Venezuela é um país com forças armadas limitadas e vastos recursos naturais — especialmente petróleo — que despertam o interesse econômico norte-americano, além de ser vista historicamente como parte de sua zona de influência.

A Rússia, por outro lado, não é o “quintal” dos EUA. Trata-se de uma potência nuclear e de um ator central no sistema internacional, cuja invasão desencadearia consequências que extrapolam qualquer cálculo político ou militar de Washington.

A realidade é que Trump atacou a Venezuela, mas sempre terá de pedir licença à Rússia. Nesse ponto, o discurso ideológico da extrema direita é convenientemente colocado no bolso diante dos limites impostos pela geopolítica global.