O ambiente político em Brasília testemunhou um "fogo amigo" de proporções bíblicas nesta semana.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) decidiu expor publicamente uma lista sensível contendo nomes de igrejas e grandes líderes evangélicos investigados pela CPMI do INSS.
A divulgação ocorre como resposta direta a um ultimato agressivo do pastor Silas Malafaia.
O líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo havia desafiado a senadora nas redes sociais, chamando-a de "leviana linguaruda" após Damares afirmar, em entrevista, que templos estariam sendo usados para esquemas de fraudes contra aposentados.
"Se não tem os nomes e as provas, cale a boca", disparou Malafaia.
Damares não se calou. Em vez disso, publicou os requerimentos oficiais da comissão, baseados em Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) e dados da Receita Federal.
CONEXÃO COM O BANCO MASTER
Entre os nomes mais pesados da lista divulgada por Damares está o de Fabiano Campos Zettel.
Zettel não é apenas um líder religioso; ele é cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A CPMI investiga se há uma conexão entre a fé e o sistema financeiro. O senador Rogério Correia (PT-MG), autor do convite a Zettel, justifica que o depoimento é essencial para entender a proximidade dos chamados "Golden Boys" (grupo que controla o banco) com instituições religiosas.
A suspeita é de lavagem de dinheiro ou uso da estrutura eclesiástica para facilitar fraudes em empréstimos consignados e descontos indevidos em benefícios previdenciários.
ANDRÉ VALADÃO NA LISTA
Outro nome de grande repercussão nacional que consta nos documentos é o de André Machado Valadão.
O pastor da Igreja Batista da Lagoinha é alvo de pedidos de convocação para depor e, mais grave, de requerimentos para transferência de sigilo bancário e fiscal.
A lista também inclui convites aos líderes religiosos Cesar Belucci do Nascimento, Péricles Albino Gonçalves e André Fernandes.
IGREJAS NA MIRA DO FISCO
A documentação apresentada por Damares revela que CNPJs de igrejas estão sob escrutínio por movimentações atípicas.
Foram solicitadas as quebras de sigilo (transferência de dados fiscais para a CPMI) das seguintes instituições:
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Igreja Assembleia de Deus Ministério do Renovo;
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Ministério Deus é Fiel Church (conhecida como SeteChurch);
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Igreja Evangélica Campo de Anatote.
Segundo a senadora, os pedidos não são perseguição religiosa, mas fruto de indícios técnicos apontados pelos órgãos de controle financeiro do país.
O QUE DISSE DAMARES
Ao divulgar os dados, Damares tentou se blindar das críticas de traição ao segmento evangélico.
Em nota, ela afirmou que a situação lhe causa "profundo desconforto e tristeza", mas reforçou que seu dever constitucional na CPMI exige imparcialidade.
"Nós estamos identificando igrejas nos esquemas. E quando se fala de um grande pastor, vem a comunidade: ‘Não falem, não investiguem’. Isso me machuca", declarou a senadora, rebatendo a tese de que estaria generalizando a corrupção no meio evangélico.
Até o momento, os pedidos de quebra de sigilo e convocações estão em diferentes fases de tramitação na comissão — alguns já aprovados, outros aguardando deliberação dos parlamentares. Silas Malafaia ainda não se manifestou sobre os nomes revelados.











