24 de julho de 2024
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INVESTIGAÇÃO

PF diz que Wassef pediu assento escondido em avião para resgatar Rolex

Advogado queria evitar ser visto

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Frederick Wassef, advogado do ex-presidente Jair Bolsonaro, solicitou um lugar discreto no avião que o levou a Orlando, na Flórida, para recuperar um Rolex, um presente de um saudita que alegadamente teria sido desviado e vendido nos Estados Unidos por colaboradores de Bolsonaro (PL), é o que diz a Polícia Federal (PF).

“Eu quero ficar colado. Cabeça, minha cabeça colada na fuselagem, deu para entender? Ou seja, o banco, ele tem que estar deitado, com a cabeça apoiada no banco e na fuselagem, na parede do avião, olhando para a janelinha”, declarou Wassef em conversa com uma atendente da companhia aérea...

Em 14 de março de 2023, Wassef viajou para os Estados Unidos e readquiriu o Rolex com o objetivo de devolvê-lo ao Tribunal de Contas da União (TCU). O relógio fazia parte do conjunto conhecido como kit ouro branco, que incluía outros itens como anel, par de abotoaduras e um rosário islâmico.

O Rolex, acompanhado de um Patek Philippe, foi vendido por US$ 68.000 à Precision Watches, localizada em Willow Grove, Pensilvânia, em 13 de junho de 2022. No entanto, o Patek Philippe não foi encontrado pelos investigadores da Polícia Federal.

A investigação, que está sob a responsabilidade do ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal, está apurando o desvio de três conjuntos de presentes luxuosos destinados ao então presidente Jair Bolsonaro por governos estrangeiros. O primeiro conjunto inclui uma escultura de árvore e outra de barco; o segundo é composto por um conjunto de joias feito de ouro rosê, contendo abotoaduras, um terço, anel e relógio; o terceiro conjunto inclui um Rolex, uma caneta Chopard, um par de abotoaduras, um anel e um rosário árabe.

Conforme relatório da Polícia Federal, os itens foram comercializados em joalherias nos Estados Unidos por pessoas próximas ao ex-presidente. A investigação estima que o desvio ou tentativa de desvio totaliza aproximadamente R$ 6,8 milhões.

No total, Bolsonaro e outras 11 pessoas foram indiciadas pelo esquema, cada uma por diferentes crimes:

  • Jair Bolsonaro, ex-presidente da República, foi indiciado por associação criminosa, lavagem de dinheiro e apropriação de bens públicos;
  • Fabio Wajngarten, advogado do ex-presidente, enfrenta acusações de associação criminosa e lavagem de dinheiro;
  • Mauro Cesar Barbosa Cid, tenente-coronel e ex-ajudante de ordens do ex-presidente, está implicado em associação criminosa, lavagem de dinheiro e apropriação de bens públicos. Seu pai, Mauro Cesar Lorena Cid, general, responde por associação criminosa e lavagem de dinheiro;
  • Frederick Wassef, advogado, é acusado de associação criminosa e lavagem de dinheiro;
  • Bento Albuquerque, ex-ministro de Minas e Energia, é indiciado por associação criminosa e apropriação de bens públicos;
  • Marcos André dos Santos Soeiro, ex-assessor de Bento Albuquerque, é acusado de associação criminosa e apropriação de bens públicos;
  • Julio Cesar Vieira Gomes, ex-secretário da Receita Federal, enfrenta acusações de associação criminosa, lavagem de dinheiro, apropriação de bens públicos e advocacia administrativa;
  • Marcelo da Silva Vieira, ex-chefe do Gabinete de Documentação Histórica da Presidência da República, foi indiciado por associação criminosa, lavagem de dinheiro e apropriação de bens públicos;
  • José Roberto Bueno Júnior, ex-chefe de gabinete do Ministério de Minas e Energia, é acusado de associação criminosa, lavagem de dinheiro e apropriação de bens públicos;
  • Osmar Crivelati, assessor de Bolsonaro, foi indiciado por associação criminosa e lavagem de dinheiro, enquanto Marcelo Costa Câmara, ex-assessor de Bolsonaro, enfrenta acusações de lavagem de dinheiro.

Agora, a Procuradoria-Geral da República (PGR) irá examinar as evidências coletadas pela Polícia Federal dentro de um prazo de até 15 dias, decidindo se arquiva o caso, solicita novas investigações ou apresenta denúncia contra os envolvidos - podendo a lista de acusações ser ajustada.

Caso a PGR opte por denunciar os envolvidos, a denúncia será avaliada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Posteriormente, o STF poderá decidir se aceita a denúncia ou se arquiva o caso. Caso a denúncia seja aceita, os acusados se tornarão réus e enfrentarão um processo penal, podendo resultar em condenação ou absolvição. O STF também tem a opção de remeter o caso para a primeira instância.