24 de junho de 2021
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Puccinelli sabe – e estimula – que recebe tratamento de pré-candidato

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Depois de abrir a semana com uma animada reunião da cúpula do PMDB na segunda-feira, o ex-governador André Puccinelli mergulhou de vez na atividade política, alterando a ideia inicial de concentrar-se mais na vida privada. No mínimo, ele já se posiciona equidistante entre demandas pessoais e agendas políticas.

Já ao sair da reunião, nas entrevistas e nas andanças que inicia agora, seu discurso exibe uma cautela tão rebuscada que pode ser, entre outras, uma preocupação em não repetir o jogo de cartas marcadas que antecedeu o lançamento da candidatura de Edson Giroto a prefeito em 2012.

Logo cedo, em uma das mídias sociais, o Facebook, postou em sua página uma foto no Fiat Uno que ganhou de presente ano passado dos servidores que fizeram uma vaquinha para comprar o presente. Com uma das mãos no volante e outra acenando com o sinal de positivo, a mensagem protocolar: “Boa terça-feira para vocês”.

Contudo, no dia anterior, o dia da reunião do PMDB, o ex-governador valeu-se da mesma página para manifestar sintomas da realidade que começa a impor sobre ele um desafio, quase obrigação, sobre seu papel político. Escreveu assim: “Participei esta manhã da primeira reunião do PMDB estadual. Revi amigos e retomamos o contato político. Por delegação do diretório, ao lado de Nelsinho Trad e dos parlamentares federais com base na Capital, fomos encarregados de ouvir vereadores e lideranças sobre o quadro em Campo Grande. Vamos ouvir, ouvir muito e com atenção. É o que podemos fazer de melhor neste momento”.

Basta meia palavra dessas para o bom entendedor. André Puccinelli assume ter ciência e consciência de sua responsabilidade histórica com o PMDB. Sem seu protagonismo, o partido perde a chave de garantia para recuperar o que perdeu nas recentes disputas eleitorais.

Mais que resultados matemáticos, o PMDB perdeu expressiva parcela da credibilidade política e administrativa que conquistou em mais de 20 anos elegendo sempre a maioria dos prefeitos e das bancadas parlamentares e com o controle sucessivo da prefeitura da capital e do governo do Estado, sempre com Puccinelli no leme.

E a menção ao Giroto se justificaria na promessa-compromisso sublinhada por Puccinelli na mensagem de segunda-feira aos internautas: “Vamos ouvir, ouvir muito e com atenção. É o que podemos fazer de melhor neste momento”. Para quem criticou em 2012 a escolha de Giroto, o grande pecado de Puccinelli, comandante do processo, foi exatamente o de ouvir pouco. Pior, alguns de seus desafetos da época, entre os quais o vereador Paulo Siufi e o deputado estadual Marquinhos Trad, ambos do PMDB, o acusaram de ungir o candidato sem dar ouvidos ao partido.

Mea culpa ou não, hoje Puccinelli se apresenta ao partido e aos companheiros sem fugir do estigma de eterno candidato, a opção zero do PMDB para disputar a sucessão campo-grandense em 2016, passo fundamental para pavimentar a rota na direção de 2018. Se ouvir muito é o que ele pode fazer de melhor neste momento – são suas próprias palavras -, está no ar então a marcha de resgate de um andrezismo, que pode ressurgir renovado na prática e no conceito. O que sinaliza a possibilidade crescente de o PMDB e os peemedebistas condicionarem à plena revitalização político-eleitoral do partido à candidatura de André Puccinelli em 2016.